Em meio ao clima de tensão crescente dentro do grupo governista da Bahia, o senador Angelo Coronel (PSD) usou as redes sociais para mandar um recado direto — e nada sutil — aos aliados.
Em uma sequência de publicações no Instagram, Coronel reforçou sua atuação no Congresso Nacional e fez questão de listar ações que atribui diretamente ao seu mandato, em tom de afirmação política. A mensagem foi interpretada nos bastidores como uma resposta ao movimento que ganha força dentro do PT baiano para a formação de uma chapa “puro-sangue” em 2026, cenário que deixaria o pessedista fora da majoritária.
“Muita gente precisa saber de uma vez por todas”, escreveu o senador, em frase que sintetiza o desconforto com o atual momento da base aliada.
Recado com endereço certo
Nas postagens, Angelo Coronel destacou, entre outros pontos:
A autoria do projeto que instituiu o piso salarial nacional de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais;
A destinação de R$ 238 milhões para o fortalecimento da segurança pública;
A atuação contínua na liberação de recursos e articulação de pautas estruturantes para a Bahia.
A iniciativa ocorre em um contexto de ruídos públicos, disputas silenciosas e recados cruzados entre lideranças da base, especialmente após declarações que indicam a possibilidade de o PT abrir mão da aliança histórica com o PSD na composição da chapa estadual.
Fissuras expostas
Nos últimos dias, o que antes era tratado apenas nos bastidores passou a ganhar contornos públicos. A movimentação do senador evidencia um sentimento de esvaziamento político e reforça a leitura de que Coronel não pretende aceitar passivamente uma eventual exclusão do projeto majoritário.
Aliados próximos avaliam que o gesto vai além da prestação de contas: trata-se de um aviso claro de que o PSD e Angelo Coronel seguem com capital político, voto e entregas concretas, e que qualquer rearranjo eleitoral sem o partido terá custo.
O episódio expõe, mais uma vez, que a unidade do grupo governista está longe de ser pacificada — e que a construção de 2026 deve passar, inevitavelmente, por negociações mais duras do que o discurso público costuma admitir.
