Relatório do Banco Master revela repasses a políticos e empresas ligadas a figuras públicas
Documentos encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado apontam repasses milionários realizados pelo Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro, a empresas e consultorias ligadas a políticos e ex-ministros.
As informações, divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo, abrangem o período entre 2022 e 2025.
Empresa ligada a ACM Neto aparece entre os valores
De acordo com o relatório, a A&M Consultoria, associada ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto, recebeu R$ 5,45 milhões entre 2023 e 2024.
Em nota, a assessoria da empresa afirmou que “os serviços mencionados pelo jornal foram contratados de maneira lícita, transparente, e devidamente prestados” e destacou que não pode confirmar os valores “supostamente declarados à Receita Federal por não ter tido acesso a esses dados”.
A manifestação também ressalta que os contratos foram firmados em período no qual os sócios não ocupavam cargos públicos.
Pagamentos também envolvem Jaques Wagner
O relatório aponta ainda repasses à BN Financeira, empresa ligada a Bonnie Bonilha, nora do senador Jaques Wagner, no valor de R$ 12 milhões entre 2022 e 2025.
O senador também aparece na lista com um pagamento de R$ 289 mil como pessoa física.
Segundo Wagner, o valor corresponde a rendimento de aplicação financeira e ele afirma não ter recebido pagamentos do Banco Master. Já a BN Financeira declarou que prestou serviços mediante emissão de notas fiscais.
Outros nomes citados no relatório
Os documentos também mencionam pagamentos a outras figuras públicas e empresas relacionadas:
Valores apontados
- Henrique Meirelles: R$ 18,5 milhões por consultorias
- Guido Mantega: R$ 14 milhões por meio de empresa
- Michel Temer: R$ 7,5 milhões declarados por escritório, com indicação de valores maiores pela Receita
- Antônio Rueda: R$ 6,4 milhões por meio de escritórios ligados
- Fábio Wajngarten: ao menos R$ 3,8 milhões em 2025
- Ricardo Lewandowski: cerca de R$ 6,1 milhões por meio de banca associada à família
Todos citados afirmam regularidade nos serviços
Segundo o relatório, todos os envolvidos afirmaram que os valores recebidos correspondem a serviços prestados de forma regular e contratados dentro da legalidade.
Dados estão sob análise de autoridades
As informações seguem sendo analisadas no âmbito da CPI do Crime Organizado, que investiga possíveis irregularidades envolvendo instituições financeiras e relações com agentes públicos.
O caso continua em apuração pelas autoridades competentes.
