Bruno Reis alerta para impacto financeiro dos cachês do São João
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), afirmou que médias e pequenas cidades da Bahia enfrentam um “problema gravíssimo” em relação ao pagamento de cachês elevados a grandes artistas durante o período do São João.
O gestor foi questionado sobre o tema pelo Portal A TARDE nesta quarta-feira, 4, durante a apresentação das atrações e dos serviços municipais para o Carnaval de Salvador. O evento ocorreu em um hotel localizado no bairro do Campo Grande, região central da capital baiana.
São João pressiona orçamentos municipais
Segundo Bruno Reis, diferentemente do Carnaval, o São João é realizado pela maioria dos municípios, o que provoca uma disputa direta entre cidades pela contratação de artistas. Esse cenário, de acordo com o prefeito, dificulta negociações e eleva os valores cobrados.
“No São João é um problema gravíssimo, porque poucos municípios não fazem. Se você levar em consideração que são mais de 5.500 municípios [no Brasil], acaba tendo uma queda de braço entre as cidades para as contratações”, disse Bruno.
Ele ressaltou que, no caso do Carnaval, a situação é menos crítica, pois grande parte das cidades do estado não realiza a festa, o que permite às prefeituras negociar cachês em condições mais favoráveis.
Prefeitos e MP discutem responsabilidade fiscal
Recentemente, prefeitos de municípios do interior da Bahia se reuniram com o Ministério Público da Bahia (MP-BA) para tratar da realização dos festejos juninos com foco em responsabilidade fiscal, equilíbrio financeiro e preços justos na contratação de artistas e estruturas.
O encontro ocorreu na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), em Salvador, e teve como objetivo buscar soluções que permitam a manutenção da tradição cultural sem comprometer áreas essenciais da administração pública.
UPB aponta consenso entre gestores municipais
Após a reunião, o presidente da UPB, Wilson Cardoso, afirmou que há adesão total dos prefeitos à proposta de preservar os festejos juninos, especialmente nos municípios onde o São João é um evento cultural consolidado.
Segundo ele, no entanto, é necessário respeitar a realidade financeira de cada cidade.
“Não adianta falar em teto se o município não tem receita corrente líquida para suportar. A festa precisa atrair a população, fortalecer o comércio, mas dentro da realidade de cada cidade”, explicou.
Críticas à cartelização na contratação de artistas
Wilson Cardoso também criticou o que classificou como cartelização na contratação de artistas para o São João. Segundo ele, a prática de concentração de decisões em poucos empresários tem pressionado os valores de mercado.
“O que a gente quer evitar é o cartel, quando poucos empresários definem preços abusivos e puxam todo o mercado para cima. Isso fica insuportável para os municípios”, afirmou.
Bruno Reis torce por avanços no diálogo
Ao comentar a mobilização dos prefeitos, Bruno Reis disse apoiar a iniciativa e demonstrou expectativa de que o movimento gere resultados concretos. Ele destacou que, em Salvador, o cenário é distinto, citando como exemplo o Festival da Virada, cujas atrações são custeadas por patrocinadores.
“Espero e apoio, torço para que esse movimento dos prefeitos dê certo, para que realmente possa reduzir o cachê, se não a conta não fecha. Essa a realidade da maioria dos municípios. Eles precisam de recursos públicos, de recursos necessários para investir em políticas públicas na área de saúde, educação, na área social”, afirmou.
Eventos são importantes, mas contas não fecham
O prefeito reconheceu a importância econômica e cultural dos eventos juninos, mas alertou para o risco de desequilíbrio financeiro nas administrações locais.
“É óbvio que os eventos são extremamente importantes para essas cidades porque ativa a economia, mobiliza a região, aquece o comércio. Defendo que tem a ser realizado, defendo que tenha grandes atrações, mas efetivamente as contas não estão mais fechando para essas pequenas e médias cidades”, concluiu.
