Prefeitura é acusada de contratar empresa fantasma por R$ 7 milhões
Empresa “fantasma” e nepotismo: vereador aponta irregularidades na gestão de Di Cardoso
A Prefeitura de João Dourado, no centro-norte da Bahia, administrada pelo prefeito Diamerson Costa Cardoso Dourado (PRD), conhecido como Di Cardoso, é alvo de novas denúncias por irregularidades em contratos públicos.
O Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) acatou parcialmente um pedido de medida cautelar que obriga a prefeitura a realizar uma licitação regular em até 120 dias para substituir os contratos firmados com a empresa MHR Inteligência em Documentos Digitais Ltda, cujo valor ultrapassa R$ 7 milhões.
A denúncia foi apresentada pelo vereador Abimael Dourado Lima Júnior (PSD), conhecido como Juninho, que acusa a gestão de nepotismo, direcionamento e contratação de empresa fantasma.
Empresa “fantasma” e falta de transparência
De acordo com o parlamentar, a empresa MHR Inteligência teria sido contratada para fornecer materiais de construção e locação de software de gestão documental, mas funcionaria em um endereço residencial — o da mãe de um dos sócios.
A denúncia aponta ausência de pesquisa de preços, falta de qualificação técnica e tentativa de burlar a lei de licitações por meio de credenciamento e dispensa indevida de licitação.
O TCM determinou que os contratos em vigor sejam mantidos apenas durante o período de transição, evitando a paralisação de serviços essenciais.
Caso a prefeitura não realize nova licitação no prazo de 120 dias, todos os pagamentos serão suspensos.
O órgão deu ainda 20 dias para o prefeito apresentar esclarecimentos.
A Prefeitura de João Dourado foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até o fechamento da matéria.
Outra investigação: contrato de R$ 2,3 milhões com empresa ligada à família do prefeito
As denúncias contra a gestão de Di Cardoso não são isoladas.
Na semana passada, o TCM-BA instaurou investigação sobre outro contrato, no valor de R$ 2,3 milhões, entre a prefeitura e a empresa Lojas Geocomercial Ltda, firmado em julho de 2025.
O tribunal identificou indícios de favorecimento e nepotismo, já que a empresa teria vínculo societário com a J.C. Dourado Participações Ltda, pertencente ao pai e à irmã do prefeito.
O TCM considerou a contratação irregular por violar a nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021) e os princípios constitucionais da impessoalidade e moralidade administrativa.
A prefeitura também foi intimada a realizar nova licitação em até 120 dias, sob pena de suspensão de pagamentos.
Resumo das denúncias
- Empresa “fantasma”: Contratos de R$ 7 milhões com a MHR Inteligência, que funcionaria em endereço residencial.
- Nepotismo: Empresa ligada ao pai e à irmã do prefeito em contrato de R$ 2,3 milhões.
- Prazo de 120 dias: TCM exige nova licitação sob pena de suspensão dos pagamentos.
- Violação da lei: Descumprimento da nova Lei de Licitações e dos princípios de impessoalidade e moralidade administrativa.
