quarta-feira, 28 janeiro 2026
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Licitação de R$ 30 milhões para terceirização em Itapetinga chama atenção após demissões por economia

Prefeitura de Itapetinga autoriza maior licitação de terceirização da história do município apenas um mês após demissões em massa justificadas por contenção de gastos.

Licitação milionária para terceirização marca novo capítulo da gestão em Itapetinga

O cenário político e administrativo de Itapetinga, no centro-sul da Bahia, foi surpreendido na última sexta-feira (16) com a publicação, no Diário Oficial do Município, de um processo licitatório considerado histórico. O prefeito Eduardo Hagge (MDB) autorizou a contratação de serviços de terceirização de mão de obra que, somados, podem alcançar o montante de R$ 29.910.125,00 (vinte e nove milhões, novecentos e dez mil, cento e vinte e cinco reais).

Trata-se do maior contrato desse tipo já registrado nos mais de 70 anos de emancipação do município. O volume financeiro chama atenção especialmente quando comparado a outras áreas estratégicas da administração pública local.

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Itapetinga

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Valores superam orçamento de áreas essenciais

O valor total previsto no registro de preços supera mais que o dobro da receita anual estimada da Câmara Municipal de Itapetinga, fixada em R$ 12 milhões. Além disso, o montante representa cerca de 40% de todo o orçamento planejado para a Secretaria Municipal de Saúde em 2026, estimado em R$ 75,5 milhões.

A discrepância entre os valores destinados à terceirização e os recursos reservados a áreas essenciais tem gerado debates entre especialistas e atores políticos da cidade.

Contradição administrativa gera questionamentos

A decisão do Executivo municipal ocorre pouco tempo após uma medida que seguiu caminho oposto. Em dezembro de 2025, o prefeito Eduardo Hagge assinou um decreto que resultou em demissões em massa de aliados e prestadores de serviço. Na ocasião, a justificativa apresentada foi a necessidade de “cortar gastos” e buscar maior “economicidade” nas contas públicas.

Especialistas em gestão pública, no entanto, alertam que o modelo de terceirização tende a aumentar os custos. Diferentemente da contratação direta, em que o gasto se limita a salários e encargos, a terceirização inclui também taxas administrativas cobradas pelas empresas contratadas. Na prática, um posto de trabalho que custaria cerca de R$ 3 mil pode chegar a R$ 6 mil aos cofres públicos.

Recomposição política nos bastidores

Nos bastidores da política local, a licitação é interpretada como parte de uma estratégia de recomposição de poder. Após o rompimento e a dispensa de quadros históricos ligados ao pai, o ex-prefeito Michel Hagge, Eduardo Hagge estaria utilizando a mega-licitação como instrumento para consolidar um novo grupo político próprio.

A estrutura terceirizada permitiria o preenchimento de postos de trabalho por meio de indicações de novos vereadores aliados e lideranças partidárias, porém com um custo operacional significativamente mais elevado para o contribuinte itapetinguense.

Empresa vencedora e valores já adjudicados

Os termos de adjudicação indicam que os serviços contratados serão destinados ao apoio de atividades operacionais e administrativas em diversas secretarias municipais. Até o momento, a empresa RG Soluções Ltda, sediada em Barreiras, no oeste da Bahia, já arrematou lotes que somam R$ 8.790.880,00 (oito milhões, setecentos e noventa mil, oitocentos e oitenta reais).

A empresa pertence ao empresário Renan Guimarães dos Anjos e possui capital social declarado de R$ 5 milhões, valor consideravelmente inferior ao teto global da contratação pretendida pela prefeitura.

Demissões e desgaste político

No mês passado, ao ser questionado sobre o desligamento de aliados e servidores, o prefeito foi enfático: “Quanto às demissões, não vou me ater a coisas pequenas”. A declaração repercutiu negativamente nos bastidores da Câmara Municipal e entre integrantes do grupo político fundado por Michel Hagge.

As exonerações, publicadas em edições extraordinárias do Diário Oficial, atingiram cargos de segundo e terceiro escalões e afetaram diretamente bases de apoio de vereadores aliados.

Fidelidade sob pressão e ruptura familiar

Para analistas locais, a movimentação vai além de um ajuste fiscal convencional e se assemelha a um “filtro ideológico”. A estratégia seria demitir para testar lealdades, com possíveis recontratações condicionadas à fidelidade irrestrita ao atual projeto político do prefeito.

O isolamento político de Eduardo Hagge se intensifica com o racha familiar envolvendo seu sobrinho, o ex-prefeito Rodrigo Hagge. Apesar de ter sido mentor da eleição do tio, Rodrigo mantém atualmente uma postura de distanciamento público. Informações de bastidores indicam que ele articula uma nova frente política ao lado da principal liderança da oposição local, Cida Moura (PSD).

A expectativa é que, após o Carnaval, seja anunciado um novo agrupamento político capaz de polarizar o cenário eleitoral em Itapetinga, colocando a atual gestão sob maior pressão política e institucional.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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