Enterros em Itapetinga registram aumento expressivo e geram indignação
O município de Itapetinga, localizado no centro-sul da Bahia, vive um clima de forte indignação popular após a decisão da administração municipal, sob a gestão do prefeito Eduardo Hagge (MDB), de elevar de forma abrupta os custos dos serviços funerários oferecidos nos cemitérios públicos da cidade.
Em um momento de extrema fragilidade emocional, famílias enlutadas afirmam estar sendo submetidas a uma verdadeira “máquina de arrecadação”, instalada justamente em um dos períodos mais sensíveis da vida. O aumento repentino dos valores gerou revolta e intensificou críticas à condução da política pública municipal.
Decreto aumenta taxas sem passar pela Câmara
Diferentemente de outros reajustes tributários, a medida não foi debatida nem aprovada pela Câmara Municipal. O aumento foi implementado por meio de decreto do Poder Executivo, o que surpreendeu moradores e levantou questionamentos jurídicos sobre a legalidade da decisão.
O decreto impacta diretamente diversas taxas relacionadas aos serviços funerários, alterando de forma significativa os valores cobrados pela prefeitura.
Taxas funerárias têm reajustes considerados abusivos
Entre os principais aumentos apontados pela população estão:
Taxa de sepultamento: passou de R$ 150,00 para R$ 750,00, representando um aumento de cinco vezes, equivalente a 400%.
Taxa de concessão ou arrendamento de jazigo: reajustada para valores considerados inviáveis por famílias de baixa renda.
Taxa anual de cova: nova cobrança que cria um custo permanente para a manutenção do local de sepultamento dos entes queridos.
Somados, os reajustes fazem com que o custo total de um enterro chegue a percentuais próximos de 500% em comparação aos valores anteriores, segundo relatos de moradores.
Prefeitura alega dificuldade financeira
Ao ser questionada sobre a motivação para um aumento tão expressivo em serviços considerados essenciais, a gestão municipal tem sustentado a justificativa de “dificuldade financeira” enfrentada pelo município.
O argumento, no entanto, não tem convencido a população. Para muitos moradores, a medida demonstra insensibilidade social e desconexão com a realidade econômica local.
“É uma falta de humanidade. Estão cobrando para a gente enterrar nossos parentes em um valor que muitas famílias aqui não ganham nem em um mês de trabalho. Estão lucrando com a nossa dor”, desabafou um morador que preferiu não se identificar.
Repercussão e questionamentos legais
A principal crítica envolve a ausência de debate legislativo. Moradores e lideranças locais questionam se a natureza dessas taxas permitiria reajustes dessa magnitude por decreto, sem votação dos vereadores, representantes diretos da população.
A polêmica ganhou força nas redes sociais e nas ruas de Itapetinga, ampliando a pressão sobre a gestão do prefeito Eduardo Hagge. Para muitos cidadãos, a decisão evidencia uma postura distante da realidade socioeconômica do município, onde grande parte da população depende exclusivamente de serviços públicos e não possui condições financeiras para absorver aumentos repentinos dessa proporção.
