terça-feira, 6 outubro 2026

Denúncia aponta fraude no Bolsa Família por esposa de vereador na Bahia

Representação enviada ao MPF afirma que mulher de vereador de Acajutiba teria recebido R$ 22,9 mil em benefícios federais mesmo com vínculo na Prefeitura.

MPF é acionado para investigar suspeita de fraude no Bolsa Família

O Ministério Público Federal (MPF) foi acionado para investigar o suposto recebimento indevido de benefícios sociais federais por Iasmine da Paixão dos Santos.

Ela é esposa do vereador de Acajutiba Leonardo Carvalho Souza, conhecido como “Leo Motorista” (PSD).

Fique ligado! Participe do nosso canal do WhatsApp! Quero Participar

A denúncia aponta que Iasmine teria recebido benefícios mesmo trabalhando na Prefeitura e integrando um núcleo familiar com renda acima do limite permitido.

Representação cita Bolsa Família e Gás do Povo

De acordo com documentos da representação, Iasmine permaneceu cadastrada no novo Bolsa Família e no programa Gás do Povo.

O portal A TARDE teve acesso ao material.

Segundo a denúncia, a mulher do vereador faria parte de uma família com renda mensal estimada em mais de R$ 11,6 mil.

Valores recebidos somam R$ 22,9 mil

Entre janeiro de 2024 e junho de 2026, Iasmine teria recebido 31 parcelas ininterruptas do Bolsa Família.

O valor total repassado pelo governo federal seria de R$ 22.960,00.

Além disso, ela também teria recebido o benefício do Gás do Povo em março deste ano.

Mulher de vereador manteve vínculo com a Prefeitura

Dados extraídos das folhas de pagamento do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) indicam que Iasmine manteve vínculo empregatício com a Prefeitura de Acajutiba durante todo o período dos repasses.

Em 2024, ela atuou como assistente administrativa na Secretaria de Assistência Social.

Segundo a denúncia, a lotação era justamente no CRAS, órgão responsável pelo Cadastro Único (CadÚnico).

Cargos foram ocupados entre 2025 e 2026

Em 2025 e 2026, Iasmine ocupou os cargos de facilitadora de oficina e auxiliar de classe.

No último período citado, o salário informado foi de R$ 1.756,08.

A representação sustenta que esse vínculo deveria ter impacto na análise da elegibilidade aos programas sociais.

Vereador também teve vínculo municipal

Segundo a denúncia, Leonardo Carvalho Souza atuou como motorista do município até o fim de 2024.

A partir de janeiro de 2025, ele assumiu o mandato na Câmara Municipal de Acajutiba.

O subsídio do vereador foi fixado em cerca de R$ 9.900,00 mensais.

Regra do Bolsa Família é citada na denúncia

Para ter direito ao Bolsa Família, a regra estabelece renda per capita de até R$ 218,00.

A representação afirma que o salário de Iasmine, dividido pelos três dependentes informados ao cadastro, resultaria em R$ 585 por pessoa.

Esse valor seria quase o triplo do teto previsto para acesso ao programa.

Renda familiar ficaria acima do limite legal

Com o subsídio do vereador, a renda média da família chegaria a R$ 3.800,00 por pessoa, segundo a denúncia.

O valor seria 17 vezes superior ao limite legal do Bolsa Família.

A representação aponta que essa diferença reforça a necessidade de investigação sobre o cadastro e os pagamentos.

Documento também aponta divergências cadastrais

A denúncia destaca ainda supostas divergências cadastrais envolvendo o casal.

Embora o casamento seja público e o parlamentar exiba a união e os dois filhos em suas redes sociais, Leonardo teria se declarado “solteiro” e “agricultor” à Justiça Eleitoral no registro da candidatura.

Esse ponto também foi incluído na representação enviada ao MPF.

Denúncia cita reincidência no Legislativo local

O documento afirma que este é o segundo caso com estrutura semelhante denunciado no Legislativo de Acajutiba.

Em agosto, uma representação parecida apontou que a esposa do vereador Anselmo Oliveira dos Santos também teria mantido benefícios voltados à extrema pobreza enquanto recebia salários do município.

Naquele caso, segundo a denúncia, o vereador também aparecia como solteiro perante a Justiça Eleitoral.

Representação pede apuração conjunta

Diante da repetição do padrão, a denúncia pede que os casos sejam apurados de forma conjunta.

O documento também solicita uma auditoria ampla no CadÚnico de Acajutiba.

A intenção é verificar se outras situações semelhantes ocorreram no município.

Pedidos formais foram apresentados ao MPF

A denúncia solicita ao Ministério Público Federal a abertura imediata de procedimento investigatório.

Também pede a requisição do histórico completo do CadÚnico junto ao Ministério do Desenvolvimento Social e à Caixa Econômica Federal.

Outro pedido é a suspensão cautelar dos pagamentos.

Denúncia pede devolução de valores

A representação também requer a devolução integral dos valores supostamente recebidos de forma indevida aos cofres públicos.

O documento pede ainda a responsabilização da gestão municipal por eventual omissão na fiscalização do cadastro durante os 31 meses de repasses.

Caso sejam identificadas irregularidades fora da competência federal, a denúncia prevê o envio do caso ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) e ao Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA).

Caso aguarda análise do Ministério Público

A denúncia será analisada pelo MPF, que poderá solicitar documentos, ouvir os envolvidos e requisitar informações aos órgãos responsáveis pelos pagamentos.

A eventual responsabilização dependerá da confirmação das irregularidades apontadas na representação.

Por:  Rodrigo Tardio
www.atarde.com.br

COMPARTILHE ESTE POST:

Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
MAIS NOTÍCIAS

Mais populares