Câmara de Catu aluga 13 veículos por quase R$ 1 milhão anuais
O contrato de locação de veículos firmado pela Câmara Municipal de Catu, no nordeste da Bahia, gerou forte repercussão e indignação entre os moradores do município.
O documento prevê o aluguel de 13 automóveis, com custo total de R$ 967.200,00 por ano, o que equivale a cerca de R$ 6.200 por veículo mensalmente.
De acordo com a justificativa da Câmara, o contrato tem como objetivo “atender às necessidades de logística dos vereadores e servidores” durante o exercício de suas funções legislativas.
Moradores criticam gasto milionário
A divulgação do contrato provocou revolta na população, que considera o gasto incompatível com a realidade econômica da cidade.
“A população enfrenta dificuldades, enquanto a Câmara destina quase um milhão de reais para aluguel de 13 veículos. Isso é um desrespeito ao dinheiro público e à realidade do município”, criticou um morador.
Outro cidadão reforçou a insatisfação com a gestão dos recursos:
“É inadmissível que recursos que poderiam ser aplicados em áreas essenciais, como saúde, educação, infraestrutura e assistência social, sejam destinados a despesas supérfluas e de interesse restrito aos ocupantes de cargos públicos.”
Contrato e valores
Segundo o processo de contratação, o valor global anual ultrapassa os R$ 900 mil, e cada veículo custará R$ 6.200 por mês aos cofres públicos.
| Quantidade de veículos | Valor mensal (por unidade) | Valor total mensal | Valor total anual |
|---|---|---|---|
| 13 veículos | R$ 6.200 | R$ 80.600 | R$ 967.200,00 |
O contrato não especifica detalhes sobre os modelos dos veículos, tampouco o regime de uso por cada vereador ou servidor.
A ausência de transparência nos critérios de locação também tem sido alvo de questionamentos da sociedade civil e de entidades fiscalizadoras locais.
Pressão por transparência e revisão do contrato
Após a repercussão, moradores e líderes comunitários solicitaram que a Câmara apresente documentos detalhados do processo licitatório e critérios de escolha da empresa contratada.
Organizações locais pedem a atuação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) e dos órgãos de controle municipal para apurar se houve excesso de gastos, direcionamento ou falta de competitividade na licitação.
Especialistas em administração pública destacam que gastos com locação de veículos devem ser excepcionais e justificados por necessidade comprovada, evitando o desperdício de recursos públicos.
Repercussão política
O caso ocorre em meio a um cenário de crise econômica e aumento da insatisfação popular com os gastos do Legislativo municipal.
Nas redes sociais, moradores de Catu pedem “mais coerência e menos privilégio” por parte dos vereadores.
Até o momento, a presidência da Câmara não se manifestou oficialmente sobre os valores e justificativas do contrato.
