quarta-feira, 9 setembro 2026

Auditores resgatam 11 trabalhadores de condição análoga à escravidão em fazenda na Bahia

Fiscalização encontrou trabalhadores em fazenda de piaçava em Nazaré vivendo em casas precárias, sem água potável, banheiro, energia adequada ou registro formal.

Auditores resgatam trabalhadores em fazenda de piaçava

Onze trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em uma fazenda de piaçava localizada em Nazaré, no Recôncavo Baiano.

A fiscalização foi realizada por Auditores-Fiscais do Trabalho, vinculados à Secretaria de Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego (SIT/MTE).

Fique ligado! Participe do nosso canal do WhatsApp! Quero Participar

A ação foi divulgada nesta quarta-feira (8). A data exata da fiscalização não foi informada.

Trabalhadores estavam há décadas na propriedade

Segundo informações do g1, os fiscais relataram que alguns trabalhadores estavam na propriedade havia cerca de 40 anos.

Parte deles nasceu, cresceu e constituiu família no próprio local.

Durante a inspeção, as equipes encontraram moradias em situação precária, sem condições adequadas de higiene, segurança e estrutura básica.

Fiscalização encontrou casas de taipa sem estrutura adequada

Os trabalhadores viviam em casas de taipa, construídas com barro e madeira.

As moradias não tinham banheiros, água potável nem iluminação adequada.

Paredes e telhados estavam deteriorados, e houve relato de um desabamento ocorrido anteriormente.

condição análoga à escravidão,fazenda de piaçava,Nazaré
| Foto: Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)

Banheiro era improvisado e água vinha de fontes e riachos

De acordo com a fiscalização, os trabalhadores utilizavam um buraco improvisado, cercado por lonas e estacas, como banheiro.

A água consumida pelas famílias era retirada de fontes e riachos.

O mesmo recurso também era utilizado para outras necessidades diárias, sem garantia de potabilidade.

Trabalhadores caminhavam longas distâncias durante a rotina

Durante a jornada, alguns trabalhadores chegavam a caminhar cerca de uma hora entre a plantação e as residências.

Em determinadas situações, a piaçava colhida era transportada pelos próprios trabalhadores sobre a cabeça.

A rotina foi considerada degradante pelos auditores responsáveis pela fiscalização.

Faltavam EPIs e treinamento de segurança

A fiscalização também constatou que não eram fornecidos equipamentos de proteção individual, conhecidos como EPIs.

Os trabalhadores também não recebiam treinamento de segurança para execução das atividades.

Segundo os relatos colhidos, eram frequentes os cortes provocados por facões e pela própria piaçava durante o trabalho.

Pagamento era feito apenas por produção

Ainda segundo os fiscais, o pagamento era realizado exclusivamente por produção.

Esse modelo fazia com que os trabalhadores precisassem produzir o máximo possível para garantir uma renda mínima.

A rotina incluía trabalho em fins de semana e feriados.

Doença ou chuva exigiam compensação em outros dias

Quando chovia ou algum trabalhador adoecia, era necessário compensar a produção em outros dias.

Os fiscais também apontaram que os trabalhadores não tinham liberdade para escolher para quem vender a piaçava produzida.

Toda a produção deveria ser entregue obrigatoriamente ao empregador.

Nenhum trabalhador tinha registro formal

Nenhum dos 11 trabalhadores resgatados tinha registro formal de emprego.

Com isso, eles não tinham acesso a direitos trabalhistas básicos, como férias, 13º salário, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e exames médicos ocupacionais.

A ausência de formalização foi um dos pontos identificados durante a fiscalização.

Vínculos foram regularizados após fiscalização

Após a ação dos auditores, os vínculos de emprego foram formalizados no eSocial.

Os registros foram feitos considerando as respectivas datas de admissão dos trabalhadores.

Também foram assegurados os recolhimentos de FGTS, contribuições previdenciárias e verbas trabalhistas previstas nos contratos.

Trabalhadores poderão receber seguro-desemprego específico

Os trabalhadores resgatados poderão receber o seguro-desemprego específico destinado a pessoas retiradas de condições análogas à escravidão.

O benefício depende do cumprimento dos requisitos previstos em lei.

A medida busca oferecer suporte financeiro temporário após o resgate e a regularização da situação trabalhista.

Empregador poderá ser autuado por irregularidades

Os Auditores-Fiscais do Trabalho deverão lavrar autos de infração pelas irregularidades encontradas na propriedade.

Entre os documentos está o auto específico relacionado à submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão.

A fiscalização continua em andamento, e o empregador poderá ser autuado pelas irregularidades identificadas.

Denúncias podem ser feitas pela internet

Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas pelo Sistema Ipê, disponível pela internet.

Não é necessário informar a identidade do denunciante.

A orientação é fornecer o maior número possível de informações sobre a situação, para que a fiscalização avalie o caso e possa realizar verificações no local.

COMPARTILHE ESTE POST:

Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
MAIS NOTÍCIAS

Mais populares