Venezuela posiciona tropas e coloca armas “nas mãos do povo” após avanço de embarcações dos EUA no Caribe
A Venezuela posicionou tropas nas proximidades de sua costa caribenha e anunciou que colocará armas “nas mãos da população”, em resposta ao avanço de embarcações e aviões de guerra dos Estados Unidos na região. O governo do presidente Nicolás Maduro considera a movimentação uma “agressão direta” e uma tentativa de desestabilizar o país para tomar o controle do petróleo venezuelano.
Os Estados Unidos justificam a presença militar como parte de uma operação antidrogas no Caribe. Entretanto, nas últimas semanas, ataques norte-americanos contra embarcações suspeitas resultaram na morte de pelo menos 27 pessoas, segundo fontes locais.
Cabello: “As armas do Estado serão entregues ao povo”
O ministro do Interior e vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Diosdado Cabello, anunciou em pronunciamento oficial que o governo decidiu entregar armamentos à população civil organizada.
“Segundo a Constituição venezuelana, o monopólio das armas é do Estado. O governo decidiu que as armas do país, propriedade do Estado, sejam entregues ao povo para sua proteção”, afirmou Cabello.
“Estamos em uma fase de agressão e cerco. É hora de defender a pátria com todas as forças”, completou.
De acordo com emissoras locais, tropas venezuelanas foram deslocadas para pontos estratégicos da costa e estão realizando exercícios militares contínuos, incluindo o recrutamento e treinamento de civis no uso de fuzis.
Maduro fala em “ameaça militar devastadora”
Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, o presidente Nicolás Maduro denunciou que a presença das forças norte-americanas representa “a ameaça militar mais devastadora e extravagante da história da Venezuela”.
Maduro também pediu apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) para impedir que os Estados Unidos “cometam um crime internacional”.
“A administração dos Estados Unidos tenta criar um conflito para justificar uma invasão. Estão violando a soberania e o direito internacional”, declarou o presidente venezuelano.
EUA intensificam ações militares na região
O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou ter autorizado operações militares e de inteligência na Venezuela, incluindo ações secretas da CIA. Ele afirmou que o objetivo é “combater cartéis de drogas associados ao regime de Maduro”.
“Usaremos o poder militar americano contra os cartéis que financiam e sustentam Maduro”, disse Trump.
Segundo o governo venezuelano, quatro embarcações foram destruídas pelas forças norte-americanas nos últimos dias — ataques que Caracas classificou como “execuções extrajudiciais”.
Crise diplomática e apelo internacional
Na sexta-feira (17), a Venezuela apresentou uma denúncia formal ao Conselho de Segurança da ONU, pedindo que a comunidade internacional intervenha diplomaticamente para evitar uma escalada militar.
O Ministério das Relações Exteriores venezuelano afirmou que o país está disposto a defender sua soberania “a qualquer custo” e acusou Washington de “buscar um pretexto para invadir a Venezuela e se apoderar de seus recursos naturais”.
