sexta-feira, 30 janeiro 2026
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Israel reconhece cerca de 70 mil mortos palestinos na guerra em Gaza

Desde o início da guerra na Faixa de Gaza, as Forças de Defesa de Israel reconheceram que ao menos 70 mil palestinos foram mortos durante o conflito, validando, de forma inédita, os números divulgados pelo Ministério da Saúde de Gaza, órgão administrado pelo Hamas.

Pela primeira vez desde o início da guerra na Faixa de Gaza, as Forças de Defesa de Israel reconheceram que ao menos 70 mil palestinos foram mortos durante o conflito, validando, de forma inédita, os números divulgados pelo Ministério da Saúde de Gaza, órgão administrado pelo Hamas.

Segundo os dados oficiais do território palestino, 71.667 pessoas morreram ao longo de dois anos de guerra, iniciada após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 e encerrada com o cessar-fogo firmado em outubro de 2025.

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Debate sobre os números

Durante todo o conflito, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu questionou reiteradamente a confiabilidade das estatísticas do Ministério da Saúde de Gaza, classificando-as como “infladas” e criticando veículos internacionais que utilizavam esses dados como referência.

Entidades internacionais, no entanto, sempre consideraram as informações majoritariamente confiáveis. A Organização das Nações Unidas afirmou em diversas ocasiões que os registros históricos do ministério costumam ser consistentes, ainda que não façam distinção entre civis e combatentes.

Estudos independentes

Em julho de 2025, quando o número oficial de mortos era de cerca de 45 mil, um estudo da Universidade de Londres estimou que o total real poderia ser 65% maior, chegando a aproximadamente 75 mil mortes. Segundo a pesquisa:

  • 56% das vítimas seriam mulheres, crianças ou idosos;

  • Cerca de 8 mil mortes adicionais teriam ocorrido por causas indiretas, como fome, colapso do sistema de saúde e falta de medicamentos.

Outro estudo, publicado em abril de 2025 por pesquisadores da Austrália, apresentou visão oposta, afirmando que os dados poderiam estar superestimados e que parte dos menores contabilizados como civis seriam, na verdade, membros do Hamas.

Posição atual de Israel

No comunicado divulgado nesta quinta-feira, os militares israelenses confirmam a magnitude das mortes, mas mantêm ressalvas. As Forças Armadas afirmam que os dados do Ministério da Saúde não diferenciam civis de combatentes e negam que centenas de palestinos tenham morrido diretamente de fome, como alegado por autoridades locais.

Israel estima que a proporção de mortes seja de dois a três civis para cada combatente morto, número considerado elevado por organizações humanitárias.

Acusações internacionais

O alto número de vítimas civis, a destruição de hospitais, escolas e infraestrutura básica, além das restrições à entrada de ajuda humanitária, levaram entidades como a Anistia Internacional a acusarem Israel de genocídio.

A acusação também foi formalizada pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça, processo ao qual o Brasil aderiu oficialmente em julho de 2025. O caso ainda está em julgamento.

Israel e aliados, como os Estados Unidos, rejeitam a acusação.

Cessar-fogo e impasse político

O cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em vigor há quase quatro meses, entra agora em uma fase decisiva. Na última segunda-feira (26), foi encontrado o corpo do último refém israelense mantido em Gaza, encerrando simbolicamente a primeira etapa do acordo mediado pelo presidente Donald Trump.

A próxima fase prevê:

  • Reabertura da passagem de Rafah, na fronteira com o Egito;

  • Entrada ampliada de ajuda humanitária e mercadorias;

  • Formação de um governo palestino tecnocrático, supervisionado pelo chamado Conselho da Paz de Trump;

  • Entrega das armas pelo Hamas.

Essa última exigência, porém, enfrenta resistência. Em entrevista à Al Jazeera, o dirigente do Hamas Moussa Abu Marzouk afirmou que o grupo “nunca concordou” com o desarmamento. No mesmo dia, Trump declarou que “parece que o Hamas vai se desarmar”, indicando um impasse central nas negociações.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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