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sábado, 20 julho 2024
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Braga Netto e kids pretos: PF investiga conexão em trama golpista com ataques de 8/1

A Polícia Federal examina mensagens e ações que ligam uma tentativa de golpe por aliados de Bolsonaro aos ataques aos três Poderes em 8 de janeiro.

Análise da PF Sobre Tentativa de Golpe e Conexão com 8 de Janeiro

A Polícia Federal está conduzindo investigações sobre uma possível tentativa de golpe de Estado por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, destacando duas linhas de evidência que podem vincular diretamente essa conspiração aos ataques violentos aos três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

Discussão Chave de Braga Netto

Entre as evidências consideradas fundamentais, encontra-se uma comunicação do general Walter Braga Netto, ex-ministro e vice na última chapa eleitoral de Bolsonaro. Esta comunicação sugere a existência de uma esperança ou plano de manter o grupo político de Bolsonaro no poder, apesar do término iminente do seu mandato presidencial. Especificamente, uma mensagem trocada com Sérgio Rocha Cordeiro, um assessor próximo de Bolsonaro, onde Braga Netto discute a possibilidade de continuar no poder, é vista como um indicativo crítico dessa intenção.

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Orientação de Milícias Digitais por Braga Netto

Adicionalmente, a interação de Braga Netto com as chamadas milícias digitais, grupos atuantes na disseminação de conteúdo golpista e desinformação online, é destacada como um elemento importante da investigação. A Polícia Federal aponta que Braga Netto possivelmente instruiu esses grupos a fomentar suporte a uma tentativa de golpe de Estado, visando tanto incitar outros membros das forças armadas a se juntarem à causa golpista quanto atacar a reputação daqueles militares que se opunham ao movimento.

Os investigadores da Polícia Federal destacam o papel das milícias digitais e a estratégia de Braga Netto de instigar outros militares a se juntarem ao movimento golpista, enquanto atacava aqueles que resistiam a tal intento. Uma crítica específica foi direcionada a Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, que se opôs à tentativa de golpe. Braga Netto, em uma mensagem a Ailton Barros, expressou que a responsabilidade pela posse de Lula recaía sobre Freire Gomes, chamando-o de “cagão” e sugerindo que sua “cabeça” fosse oferecida.

Além disso, Braga Netto é acusado de utilizar a estrutura já estabelecida por aliados de Bolsonaro para disseminar notícias falsas sobre o processo eleitoral e as urnas eletrônicas, mantendo a base militante mobilizada na tentativa de perpetuar o mandato do ex-presidente.

Paralelamente, a PF investiga uma negociação envolvendo o pagamento de R$ 100 mil ao major Rafael Martins de Oliveira, com o intuito de cobrir despesas de manifestantes em Brasília. Essa transação, revelada em conversas entre o tenente-coronel Mauro Cid, indica um esforço dos militares da ativa e ex-integrantes do governo para sustentar manifestações antidemocráticas, criando uma ilusão de apoio popular à tentativa de golpe.

Os investigadores veem essas ações como evidências de que houve uma tentativa organizada e financiada de subverter o resultado das eleições, com a participação direta de membros das Forças Especiais do Exército, especialistas em guerrilha e técnicas de guerra não convencionais. O envolvimento desses “kids pretos” nos ataques de 8 de janeiro é considerado um aspecto crucial da investigação.

A Polícia Federal busca esclarecer se o pagamento foi realizado e espera que Mauro Cid forneça detalhes sobre essa negociação, que não foi mencionada em sua delação premiada. Há suspeitas de que recursos da Presidência da República possam ter sido utilizados nesse esquema.

Este caso ilustra a complexidade das investigações em curso, que visam desvendar a teia de conexões e financiamentos por trás das tentativas de golpe e dos ataques de 8 de janeiro, evidenciando a participação de altos escalões militares e membros do governo anterior na orquestração de ações antidemocráticas.

Utilização das Milícias Digitais

A investigação aponta que Braga Netto não apenas participou ativamente na propagação de desinformação relacionada ao processo eleitoral, mas também orientou as ações de milícias digitais. Essas milícias, operando sob instruções, tinham como missão desacreditar o sistema eleitoral brasileiro e incitar a base de apoio a questionar a legitimidade das eleições.

Financiamento de Manifestações

Um dos aspectos mais reveladores da investigação é a descoberta de uma negociação para o financiamento de manifestantes em Brasília. Conversas interceptadas sugerem que houve um esforço organizado para manter as manifestações antidemocráticas ativas, com suporte financeiro que possivelmente incluiu recursos do governo.

Atuação das Forças Especiais

O envolvimento de membros das Forças Especiais do Exército, conhecidos como “kids pretos”, é particularmente preocupante para os investigadores. Esses especialistas em táticas de guerrilha teriam sido mobilizados para amplificar os ataques de 8 de janeiro, demonstrando a utilização de expertise militar em ações contra a democracia.

Investigações em Andamento

A Polícia Federal continua a investigar o alcance das atividades golpistas, incluindo o possível uso de fundos públicos para financiar as manifestações e a coordenação entre militares da ativa e membros do governo Bolsonaro. A complexidade das redes envolvidas e a gravidade das ações tomadas revelam um esforço coordenado para desestabilizar as instituições democráticas do Brasil.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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