O julgamento do pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do influenciador Hytalo Santos e do marido dele, Israel Nata Vicente, foi suspenso na manhã desta quarta-feira após pedido de vista de um desembargador. O casal está preso preventivamente desde agosto de 2025 por suspeita de aliciamento de menores.
O pedido de vista foi feito pelo desembargador Ricardo Vital de Almeida, integrante da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB). A manifestação ocorreu após o relator do caso, desembargador Joao Benedito, votar pela substituição da prisão preventiva por medidas cautelares.
Caso a posição do relator fosse acompanhada pelos demais magistrados, o casal passaria a usar tornozeleira eletrônica, ficaria proibido de deixar a região de João Pessoa e Bayeux e não poderia utilizar redes sociais. Também estariam impedidos de manter contato com adolescentes e familiares investigados no processo.
Argumentos da defesa
A defesa sustenta que há “constrangimento legal” na manutenção da prisão preventiva, que já dura seis meses. Os advogados alegam que Hytalo e o marido são réus primários e possuem residência fixa. O UOL informou que procurou a defesa para comentar o andamento do caso, mas não houve manifestação até o momento.
Hytalo e Israel foram presos em 15 de agosto de 2025, após serem localizados em uma casa alugada em Carapicuíba (SP). Durante a operação, oito pessoas estavam no imóvel, mas nenhum menor foi encontrado. A polícia apreendeu oito celulares e um veículo.
Mandados de busca e apreensão já haviam sido cumpridos na residência do casal em João Pessoa (PB). Como não foram encontrados no local, o juiz responsável pelo caso decretou a prisão preventiva sob o argumento de risco de obstrução da investigação.
Em audiência de custódia, o influenciador afirmou não compreender os motivos da prisão e declarou estar confuso com as acusações.
Acusações do Ministério Público
Segundo o Ministerio Publico da Paraiba (MP-PB), Hytalo e outro investigado teriam aliciado crianças e adolescentes de famílias em situação de vulnerabilidade social em Cajazeiras (PB). De acordo com a denúncia, os jovens teriam sido levados para residir com o casal em João Pessoa, com consentimento dos pais mediante vantagens materiais.
O MP sustenta que houve exploração sexual e exposição dos adolescentes em conteúdos nas redes sociais. As vítimas, chamadas de “crias”, teriam sido exibidas com roupas consideradas provocativas e submetidas a ambientes descritos pelo órgão como moralmente inadequados.
Ainda conforme a acusação, testemunhas relataram suposto cárcere privado e regime de trabalho análogo à escravidão. Ex-assessores e ex-seguranças afirmaram que os jovens eram isolados da família, tinham meios de comunicação restringidos e cumpriam rotinas intensas de gravações sem remuneração.
O Ministério Público também aponta que os adolescentes teriam sido submetidos a procedimentos estéticos e a pressões psicológicas. Há ainda pedido de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 12 milhões, além de reparações individuais entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões para cada vítima.
O processo tramita sob segredo de Justiça para preservar informações sensíveis e evitar a exposição das vítimas.
Com o pedido de vista, não há prazo definido para a retomada do julgamento do habeas corpus.
