segunda-feira, 9 fevereiro 2026
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Rede de postos na Bahia é suspeita de usar empresa de fachada para ocultar sócios e sonegar impostos

Postos da antiga Lubrijau seguem operando sob nova gestão, comandada por administradora sem patrimônio e beneficiária do INSS.

Postos de combustíveis anteriormente ligados ao empresário Jailson Ribeiro, conhecido como Jau, preso há menos de quatro meses na Operação Primus, continuam funcionando normalmente em diversos municípios da Bahia. Ao menos 15 unidades hoje operam sob a bandeira Powerline e têm a gestão atribuída à empresa Powergest.

A mudança administrativa, no entanto, levantou suspeitas de uso de engenharia financeira para ocultar os verdadeiros controladores do negócio. A principal administradora formal da Powergest, Maria Ravena Leite Carvalho, de 39 anos, não possui bens registrados em seu nome, como veículos ou imóveis, e recebe desde 2019 um salário mínimo mensal do INSS, por meio do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

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O BPC é destinado a idosos acima de 65 anos ou a pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade social, com renda per capita familiar inferior a um quarto do salário mínimo. O perfil financeiro da administradora contrasta com a estrutura das empresas que ela estaria gerindo.

Capital social milionário e endereços suspeitos

Os 15 postos que passaram para a gestão da Powergest entre março e outubro do ano passado somam, juntos, capital social declarado de R$ 1,55 milhão. Apesar disso, Maria Ravena tem endereço registrado em uma residência simples no município de Mauriti, no sul do Ceará.

A sede formal da Powergest fica em Feira de Santana, em um edifício comercial onde funciona apenas um escritório virtual, com atendimento mediante agendamento. Outro endereço atribuído à empresa, em Conceição do Jacuípe, corresponde a um casarão antigo, aparentemente desocupado.

Não há registros de venda ou transferência societária formal dos postos, que pertenciam a Jailson Ribeiro, o que reforça a suspeita de substituição da antiga rede Lubrijau por uma empresa considerada, por investigadores, possivelmente de fachada, com uso de uma administradora “laranja”.

Presença no interior e RMS

Atualmente, apenas dois postos seguem oficialmente em nome de Jau: o Posto Lec, em São Sebastião do Passé, e o Maria Bonita, em Candeias. Os demais postos Powerline estão distribuídos por cidades como Lauro de Freitas, Alagoinhas, Feira de Santana, Mata de São João, Camaçari e Cruz das Almas.

Investigações em curso

As apurações sobre supostas irregularidades seguem em andamento e envolvem crimes como sonegação fiscal, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro. No dia 28 de janeiro, a Polícia Civil da Bahia deflagrou a Operação Acesso Remoto, cumprindo sete mandados de busca e apreensão em postos localizados em Lauro de Freitas e Simões Filho.

A ação foi baseada em representação do Ministério Público junto à Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon) e identificou indícios da existência de uma organização criminosa especializada na adulteração de combustíveis. Segundo a investigação, mecanismos eletrônicos subterrâneos, acionados remotamente, permitiriam a manipulação tanto do volume quanto da composição química dos combustíveis vendidos ao consumidor.

Ligação com a Operação Primus

A Operação Acesso Remoto é um desdobramento direto da Operação Primus, deflagrada em outubro do ano passado, que resultou na prisão de Jailson Couto Ribeiro. As investigações indicaram que cerca de 200 postos de combustíveis, supostamente ligados ao PCC, operavam sob a bandeira da Shell, em um esquema nacional de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro.

À época, o Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro solicitou à Justiça o bloqueio de bens e valores que somam aproximadamente R$ 6,5 bilhões.

Fiscalizações recentes

Na primeira semana de fevereiro, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços deflagrou a Operação Tô de Olho – Abastecimento Seguro. Durante três dias de fiscalização na Bahia, o Instituto Baiano de Metrologia (Ibametro) vistoriou 513 bicos de abastecimento, dos quais 218 foram reprovados, resultando em 28 interdições e 26 autuações.

A Agência Nacional do Petróleo realizou 91 testes de qualidade em 21 postos, lavrando oito autos de infração por desconformidade e coletando cinco amostras para análise laboratorial.

As investigações seguem em curso, e novos desdobramentos não estão descartados.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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