Mortes antes do BaVi dificultam volta da torcida mista
As duas mortes registradas em meio à violência antes do último BaVi, disputado no dia 23 de agosto, no Barradão, em Salvador, praticamente travaram o plano do Ministério Público da Bahia (MP-BA) para testar o retorno da torcida mista ao clássico.
A ideia era realizar um evento-teste em 2027 para avaliar a possibilidade de reintroduzir torcedores de Bahia e Vitória no mesmo estádio.
No entanto, os confrontos entre integrantes de torcidas organizadas, que terminaram com duas vítimas fatais, mudaram o cenário analisado pelo MP.
MP estudava evento-teste em 2027
Em entrevista exclusiva ao portal A TARDE, a promotora de Justiça Thelma Leal afirmou que o Ministério Público já conduzia um procedimento para classificar o grau de risco das partidas.
A partir desse levantamento, o órgão estudava utilizar um BaVi no próximo ano como experiência para avaliar o retorno das duas torcidas ao estádio.
Segundo a promotora, os episódios recentes tornaram esse plano muito difícil.
“A gente estava pensando, diante de um procedimento que temos em curso, que pretende estabelecer o grau de risco dos jogos, para que a gente pudesse realizar um evento-teste no ano que vem, mas, diante desses últimos fatos, fica muito difícil, para não dizer impossível”, afirmou Thelma Leal.
Violência gerou resposta do MP e da Polícia Militar
O episódio desencadeou uma resposta conjunta entre o Ministério Público da Bahia e a Polícia Militar.
Como consequência, foi determinada a suspensão, por seis meses, das atividades da Bamor, principal torcida organizada do Bahia, e da Torcida Uniformizada Imbatíveis (TUI), ligada ao Vitória.
A medida vale para jogos dos clubes em competições de âmbito estadual, regional, nacional e internacional.
MP explica intervalo até anúncio da punição
Embora os confrontos tenham ocorrido antes do BaVi do dia 23 de agosto, a punição só passou a vigorar nesta quinta-feira (3), após o jogo entre Vitória e Vasco, pela Copa do Brasil.
Segundo Thelma Leal, o intervalo foi necessário para que houvesse uma análise detalhada do cenário de violência envolvendo torcidas organizadas na Bahia.
A promotora afirmou que o Ministério Público realizou um levantamento dos episódios registrados desde o início do ano antes de definir, em conjunto com a Polícia Militar, a medida considerada mais eficaz.
Promotora diz que houve análise do cenário de violência
Thelma Leal explicou que a decisão foi tomada após um período de avaliação interna.
“Temos uma semana e meia do ocorrido. Foi o tempo de maturação, de analisar todo o cenário, inclusive com um levantamento de todos os episódios envolvendo torcidas organizadas desde janeiro, e decidimos, em conjunto com a Polícia Militar, essa sanção. Foi o tempo de haver uma maturação do que a gente efetivamente precisaria fazer para que surtisse um efeito mais imediato e houvesse uma punição à altura do que aconteceu”, afirmou.
Data da punição buscou evitar tratamento desigual
Além da análise técnica, a promotora afirmou que a data de início da punição também foi escolhida para evitar tratamento desigual entre Bahia e Vitória.
Segundo ela, a definição levou em conta o calendário das partidas dos dois clubes.
“Na verdade, foi uma decisão porque a torcida do Bahia pode fazer sua festa no domingo (contra o Internacional). Então, por uma questão de igualdade, para que a gente não privilegiasse um e preterisse o outro, a gente decidiu que a punição ia começar a ter vigência a partir do dia 3 (quinta-feira)”, destacou.
Suspensão atinge Bamor e TUI
A punição determinada pelo Ministério Público da Bahia e pela Polícia Militar tem como alvo as associações Bamor e Torcida Uniformizada Imbatíveis (TUI).
A medida não representa um banimento coletivo automático de todos os integrantes das organizadas dos estádios.
Na prática, a suspensão de seis meses impede a atuação institucional das torcidas em eventos esportivos.
Faixas, bandeiras e instrumentos ficam proibidos
Durante o período de suspensão, ficam proibidas manifestações que caracterizem a presença das torcidas organizadas.
A restrição inclui o uso de faixas, cartazes, bandeiras, vestimentas que identifiquem as entidades, outros elementos de identificação e instrumentos musicais.
O objetivo é impedir a atuação das organizadas enquanto associações nos jogos dos clubes.
Integrantes não estão automaticamente proibidos de ir aos jogos
Integrantes da Bamor e da TUI não estão automaticamente impedidos de assistir às partidas de Bahia e Vitória.
Eles poderão entrar nos estádios desde que não sejam alvos de medidas restritivas individuais e não compareçam usando roupas, materiais ou símbolos que os identifiquem como membros das torcidas organizadas.
A restrição, portanto, é voltada às entidades e às manifestações coletivas vinculadas a elas.
MP afirma que sanções individuais já são aplicadas
Segundo Thelma Leal, as sanções individuais contra envolvidos em episódios de violência já vêm sendo aplicadas.
A promotora afirmou que torcedores identificados em crimes ou atos infracionais podem responder a processo e ser impedidos de frequentar estádios.
Ela ressaltou, no entanto, que a dificuldade em identificar todos os participantes dos confrontos motivou uma medida voltada diretamente às associações.
Promotora cita restrições a torcedores envolvidos em crimes
Thelma Leal afirmou que o controle individual de torcedores já ocorre em casos específicos.
“Isso já é feito. Os envolvidos nos incidentes já estão presos, os outros estão respondendo a processo e há, sim, a restrição daqueles que se envolvem em crimes e em atos infracionais. Aqueles que ficam proibidos de entrar no estádio. Recentemente, nós tivemos um levantamento de 60 e poucos torcedores que estavam proibidos de entrar no estádio e, durante os jogos, eles se recolhiam ao Comando [da Polícia Militar]. Então, isso também já é feito”, pontuou.
Dificuldade de identificação motivou punição às entidades
Apesar das medidas individuais, o Ministério Público entende que a responsabilização das associações é necessária diante da dificuldade de identificar todos os envolvidos nos confrontos.
“Só que, diante da dificuldade de se identificar todos os envolvidos, a gente acha correta a punição, nesse momento, mais eficaz em relação ao CNPJ, ou seja, à organização, à associação”, afirmou Thelma Leal.
Retorno da torcida mista fica distante após violência
Com os episódios de violência antes do último BaVi, a possibilidade de um evento-teste para retorno da torcida mista ficou distante.
O Ministério Público deve manter a análise sobre o grau de risco das partidas, mas o cenário atual tornou a reintrodução das duas torcidas no clássico uma medida considerada difícil, especialmente após as mortes e a suspensão das principais organizadas de Bahia e Vitória.
Por: Téo Mazzoni
www.atarde.com.br