Sem merenda e sem verba: creches parceiras da Prefeitura de Salvador enfrentam dificuldades
Creches comunitárias e escolas parceiras da Prefeitura de Salvador denunciam falta de merenda escolar e atraso em repasses financeiros desde o início do ano letivo. Segundo relatos enviados à imprensa, unidades que atendem mais de 300 crianças estariam enfrentando dificuldades para manter o funcionamento regular.
Algumas instituições que operam em período integral (das 7h30 às 17h) teriam reduzido o atendimento para meio turno por não conseguirem oferecer alimentação adequada aos alunos.
Relatos de gestores
Uma funcionária de uma das unidades afetadas afirmou que a situação se arrasta desde dezembro.
“Desde dezembro que não enviaram alimento direito e agora tenho que alimentar mais de 263 crianças com três lanches por dia. Meu salário já foi todo. Já veio atrasado, porque o salário de janeiro só recebemos em março”, relatou, sob condição de anonimato.
Outra gestora informou que houve reunião recente com representantes da administração municipal, com promessa de regularização a partir do dia 2, mas que apenas parte dos itens teria sido entregue — como temperos e frutas — permanecendo a ausência de proteínas e cereais.
Segundo a denúncia, mais de 30 creches que participaram do edital de credenciamento da Smed no ano passado ainda aguardam retorno oficial.
O que diz a Prefeitura
Em nota, a Secretaria Municipal da Educação (Smed) afirmou que “as creches parceiras com vínculo jurídico vigente estão recebendo regularmente a alimentação escolar, conforme cronograma estabelecido”.
A pasta solicitou que eventuais unidades com dificuldades sejam formalmente identificadas para adoção de providências.
Sobre o credenciamento de novas unidades, a Smed informou que o processo será retomado a partir de 15 de março, após a conclusão das renovações das parcerias vigentes.
A Secretaria destacou ainda que houve ampliação no número de instituições parceiras: de 139 creches em 2023 para 176 em 2025, com crescimento no número de matrículas.
Enquanto isso, gestores das unidades afetadas afirmam que, sem regularização imediata dos repasses e do fornecimento de merenda, há risco de suspensão das atividades.
