quinta-feira, 29 janeiro 2026
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Moraes reabre inquérito sobre suposta interferência de Bolsonaro na PF

A pedido da PGR, ministro Alexandre de Moraes autoriza retomada das investigações sobre possível interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal.

Moraes atende a pedido da PGR e reabre inquérito sobre suposta interferência de Bolsonaro na PF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e reabriu nesta quinta-feira (16) o inquérito que investiga a suposta interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Polícia Federal (PF).

A decisão devolve o caso à corporação, que deve designar uma nova equipe para conduzir as apurações, agora com foco também na relação entre a interferência política e o uso irregular da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) durante o governo Bolsonaro.

Fique ligado! Participe do nosso canal do WhatsApp! Quero Participar

Reabertura foi solicitada pela PGR

O pedido foi apresentado na quarta-feira (15) pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, que destacou que as investigações sobre a trama golpista revelaram o uso sistemático dos órgãos de inteligência em ações supostamente antidemocráticas.

“A manifestação é pelo retorno dos autos à Polícia Federal para que seja realizada a seguinte diligência, sem prejuízo de outras que a autoridade policial julgar necessárias”, escreveu Gonet ao STF.

Segundo o procurador-geral, é “imprescindível verificar se houve interferências ou tentativas de interferência nas investigações apontadas nos depoimentos e documentos já colhidos”, especialmente considerando “o uso da estrutura do Estado e a obtenção clandestina de dados sensíveis”.

Origem do caso remonta a 2020

O inquérito foi aberto em 2020, após a demissão do então ministro da Justiça, Sergio Moro, que acusou Bolsonaro de tentar intervir politicamente na Polícia Federal — buscando acesso a relatórios de inteligência e a troca de diretores ligados a investigações sobre familiares do ex-presidente.

Na época, Moro afirmou que o presidente “queria alguém de sua confiança pessoal na direção da PF”, o que motivou a abertura do inquérito no STF.

Gonet ressaltou que o depoimento de Moro continua sendo uma das peças centrais da investigação, e que novas diligências devem esclarecer como e até que ponto Bolsonaro usou órgãos de Estado para interferir nas apurações da PF.

Uso da Abin também será investigado

Nesta nova fase, a PGR e a Polícia Federal deverão aprofundar as apurações sobre o suposto uso irregular da Abin durante o governo Bolsonaro, inclusive em ações voltadas ao monitoramento de adversários políticos e jornalistas.

Fontes ligadas à investigação afirmam que há indícios de que dados e sistemas da Abin foram utilizados para fins políticos, o que pode configurar abuso de poder e desvio de finalidade administrativa.

Com a decisão de Alexandre de Moraes, o inquérito volta a tramitar sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, e as novas diligências devem ser conduzidas nas próximas semanas.

COMPARTILHE ESTE POST:

Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
MAIS NOTÍCIAS

Mais populares