quinta-feira, 29 janeiro 2026
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Master usou vulnerabilidades do mercado e laranjas para desviar bilhões a Vorcaro e familiares, aponta PGR

Investigação da Procuradoria-Geral da República aponta triangulação financeira com CDBs, fundos e empresas de fachada que teria desviado R$ 5,7 bilhões do Banco Master.

PGR aponta uso de vulnerabilidades do mercado financeiro

A investigação que apura suspeitas de crimes de gestão fraudulenta no Banco Master**** concluiu que a instituição teria explorado “vulnerabilidades” do mercado de capitais para realizar operações financeiras com o objetivo de desviar recursos para o patrimônio pessoal do banqueiro Daniel Vorcaro e de seus familiares. Segundo os investigadores, o montante desviado chega a R$ 5,7 bilhões.

A defesa de Vorcaro nega qualquer irregularidade e afirma que ele tem colaborado com a Justiça para o esclarecimento dos fatos.

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Rede de entidades conectadas, segundo a PGR

Em manifestação apresentada para embasar a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quarta-feira (14), o procurador-geral da República Paulo Gonet destacou que o Banco Master utilizou uma “rede de entidades conectadas entre si” para executar o esquema.

“Há elementos suficientes que apontam, como indicado pela autoridade policial, para o ‘aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização’, notadamente mediante o uso de fundos de investimento e intrincada rede de entidades conectadas entre si por vínculos societários, familiares ou funcionais”, escreveu Gonet.

Estratégia envolvia emissão de CDBs e fundos exclusivos

Uma das práticas descritas no inquérito foi a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) no mercado. De acordo com a Polícia Federal, o Banco Master captava recursos por meio desses títulos e os direcionava a Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) nos quais o próprio banco figurava como cotista único.

Esses fundos, por sua vez, adquiriam Notas Comerciais emitidas por empresas de fachada ligadas a sócios do banco. A investigação identificou pelo menos R$ 3,5 bilhões aplicados pelo Master em fundos exclusivos e R$ 1,8 bilhão usados na compra de papéis de empresas com vínculos diretos ou indiretos com Vorcaro ou pessoas relacionadas a ele.

Transferências a familiares

Ao rastrear uma dessas operações, a PF identificou que um fundo de investimento acabou resultando na transferência de R$ 9 milhões para Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master.

Clínica médica e uso de “laranjas”

Outro investimento considerado fraudulento foi o aporte de R$ 361 milhões em uma pequena clínica médica na região metropolitana de Belo Horizonte, caso revelado pelo jornal Estadão. As apurações apontam que os vínculos societários da empresa ligavam a operação à irmã do banqueiro, Natália Vorcaro.

Por esse motivo, tanto o pai quanto a irmã de Daniel Vorcaro também foram alvos da operação. A PF identificou ainda que a clínica não possuía garantias, tinha capital social zerado e apresentava receita anual de apenas R$ 54 mil.

A presidente da clínica, Valdenice Pantaleão, não possuía patrimônio compatível e foi beneficiária do auxílio emergencial em 2020 e 2021, o que, segundo os investigadores, indica atuação como “laranja”. Ela também foi alvo das medidas judiciais.

Operações circulares com a Reag

A investigação também apontou que a gestora Reag teria atuado em conjunto com o Banco Master para estruturar fundos e executar operações destinadas ao desvio de recursos. Informações do Banco Central indicam que o banco desembolsou R$ 1,45 bilhão, valor que retornou quase integralmente à instituição por meio da compra de CDBs do próprio Master por fundos da Reag.

Segundo a apuração, cerca de R$ 1,38 bilhão voltou ao banco, configurando uma operação circular para inflar artificialmente os ativos.

Citação a Nelson Tanure

O documento judicial também menciona o empresário Nelson Tanure como suposto “sócio oculto” do Banco Master e beneficiário final da empresa Lormont Participações. Os papéis da companhia concentravam 97% da carteira de um dos fundos investigados.

A PGR solicitou o bloqueio de bens de Tanure no mesmo volume pedido para Daniel Vorcaro.

Defesa de Daniel Vorcaro

A defesa de Daniel Vorcaro informou que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirmou que o banqueiro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Segundo a nota, todas as determinações judiciais estão sendo cumpridas com transparência.

“O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito”, diz o comunicado, que também afirma confiança no devido processo legal.

Defesa de Nelson Tanure

A defesa de Nelson Sequeiros Rodriguez Tanure afirmou que o empresário, com décadas de atuação no mercado de valores mobiliários, jamais respondeu a processo criminal por suposta prática ilícita relacionada às empresas das quais é ou foi acionista.

Segundo os advogados, Tanure não possui relação societária com o Banco Master, do qual foi apenas cliente, e a única medida imposta até o momento foi a apreensão de seu telefone celular. A defesa sustenta que, ao longo das apurações, ficará demonstrada a inexistência de qualquer irregularidade.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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