quinta-feira, 29 janeiro 2026
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Instituto fundado por André Mendonça lucra R$ 4,8 milhões em contratos públicos em pouco mais de um ano

Instituto Iter, criado pelo ministro do STF André Mendonça, arrecadou R$ 4,8 milhões em contratos com governos e órgãos públicos desde 2024. Juristas apontam possível conflito de interesses.

Instituto fundado por André Mendonça lucra R$ 4,8 milhões em contratos públicos em pouco mais de um ano

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, é o fundador do Instituto Iter, entidade que arrecadou cerca de R$ 4,8 milhões em contratos com órgãos públicos desde maio de 2024, segundo reportagem publicada pelo Estadão.

O instituto, voltado para cursos, palestras e capacitação de servidores públicos, tem o próprio Mendonça como principal figura e palestrante de destaque, o que tem levantado questionamentos sobre conflito de interesses.

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Contratos e expansão do Instituto Iter

De acordo com os dados obtidos pela reportagem, o Instituto Iter mantém contratos com governos estaduais, prefeituras e tribunais de contas.

Entre os principais clientes estão:

  • Governo da Bahia;
  • Governo de São Paulo;
  • Governo do Piauí;
  • Tribunais de Contas e Consórcios Intermunicipais.

Um dos maiores contratos, no valor de R$ 1,2 milhão, foi firmado com o Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana de São Paulo, responsável por financiar atividades de capacitação e eventos do instituto.

O Instituto Iter conta ainda com a participação de ex-integrantes do governo Bolsonaro, incluindo Victor Godoy, ex-ministro da Educação, que atua como CEO da instituição, além de outros ex-assessores ligados ao gabinete de Mendonça.

Criação e discurso público

Em declarações anteriores, André Mendonça afirmou que o Iter foi concebido como um espaço de formação e diálogo “longe das influências de Brasília”, voltado à promoção de valores éticos e republicanos na administração pública.

Segundo o ministro, o objetivo seria criar um ambiente voltado à formação técnica e espiritual de agentes públicos, com palestras sobre temas como gestão pública, fé e direito constitucional.

“O Instituto Iter é um espaço para servir à sociedade, sem vínculos político-partidários”, afirmou Mendonça em um dos eventos promovidos pela instituição.

Suspeitas e questionamentos jurídicos

Juristas consultados pelo Estadão apontam possível conflito de interesses, citando a Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que proíbe juízes de exercer atividades empresariais ou que possam colocar em dúvida sua imparcialidade.

Para o professor de direito constitucional Carlos Ari Sundfeld, “a presença de um ministro do STF à frente de uma instituição que contrata com governos pode gerar um ambiente de desconforto ético, ainda que não haja irregularidade formal”.

Outros especialistas destacam que, mesmo que o instituto seja uma entidade sem fins lucrativos, a vinculação direta com um magistrado da mais alta corte do país exige transparência máxima na gestão dos contratos e na prestação de contas.

Posicionamento de André Mendonça

O ministro nega qualquer irregularidade e afirma que sua atuação no Instituto Iter é exclusivamente educacional e voluntária, sem envolvimento na parte financeira ou administrativa.

“Minha atuação é compatível com as funções de ministro do STF e voltada unicamente à formação ética e educacional”, disse Mendonça em nota.

O ministro também reconheceu que o Iter sediou encontros entre parlamentares e representantes de setores profissionais, mas afirmou que todos os eventos tiveram caráter “público e institucional”.

Repercussão e próximos passos

A revelação dos contratos do Instituto Iter repercutiu entre magistrados e entidades de controle, que defendem uma análise mais rigorosa sobre a natureza jurídica e financeira da instituição.

Até o momento, não há investigação formal aberta sobre o caso, mas fontes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afirmam que a situação pode ser avaliada à luz da Loman e das regras de conduta aplicáveis aos ministros do STF.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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