quarta-feira, 18 fevereiro 2026
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Ex-presidente do BRB pede novo depoimento à PF em investigação sobre o caso Master

Paulo Henrique Costa mantém conversas com a Polícia Federal e nega irregularidades na gestão do banco.

Ex-presidente do BRB pede novo depoimento à PF em investigação sobre o caso Master

O ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, tem mantido conversas com a Polícia Federal e já solicitou novo depoimento no inquérito que apura fraudes envolvendo o Banco Master e o banco público do Distrito Federal.

De acordo com três pessoas ouvidas pela Folha sob condição de anonimato, até o momento não há colaboração oficial, mas as tratativas estariam avançando. Investigadores avaliam que Costa pode contribuir com novas informações, inclusive por meio de eventual delação premiada — acordo firmado com autoridades no qual o investigado fornece dados em troca de benefícios, como redução de pena ou perdão judicial.

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Suspeitas de irregularidades

A PF apura se Paulo Henrique Costa participou de suposta falsificação de documentos para sustentar a inexistência de irregularidades na compra de carteiras de crédito consignado sem lastro do Master, avaliadas em R$ 12,2 bilhões. Também são investigadas a entrega de bens em troca desses ativos e a participação de Daniel Vorcaro e sócios na aquisição de ações do BRB por meio de fundos da gestora Reag.

Procurado, o ex-presidente afirmou que permanece colaborando integralmente.

“Minha colaboração é no estrito sentido de confiar nas instituições, no devido processo legal e fornecer todas as informações ao meu alcance para que tudo seja esclarecido o mais breve possível”, declarou à Folha por mensagens.

Costa nega qualquer irregularidade. “Tenho convicção de que sempre atuei no estrito papel que me cabia como presidente do BRB e na defesa dos interesses do banco, com base em decisões colegiadas, boas práticas e cumprindo o planejamento estratégico.”

Documentos e nova oitiva

O ex-presidente reúne documentos para apresentar à PF em novo depoimento, incluindo comunicações feitas ao Banco Central sobre os fundos que passaram a integrar o quadro acionário do BRB. Ele afirma que não há motivo para delação. “Nunca nem falamos sobre isso.”

A defesa sustenta que sua atuação foi técnica e que ele pode auxiliar a PF a compreender as operações envolvendo o BRB e outras apurações futuras.

Operação Compliance Zero

Costa é um dos investigados no caso. A participação oculta de Daniel Vorcaro no BRB levantou suspeitas sobre antigos gestores da instituição. Após a nova administração entregar à PF o resultado de auditoria externa, foi aberto inquérito para apurar se a gestão anterior tinha conhecimento sobre os verdadeiros responsáveis pelos fundos acionistas e se houve facilitação para que investigados da operação Compliance Zero se tornassem acionistas.

Costa foi afastado do comando do BRB no mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação do Master e a PF deflagrou a operação que prendeu Daniel Vorcaro, em 17 de novembro.

No final de dezembro, Costa, Vorcaro e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, prestaram depoimento ao STF por determinação do então relator do caso, ministro Dias Toffoli. Após os depoimentos, houve acareação entre o ex-presidente do BRB e o banqueiro. O sigilo foi levantado em 30 de janeiro.

Divergências sobre créditos

Durante a acareação, Costa e Vorcaro divergiram sobre a origem dos créditos considerados irregulares, estimados em R$ 12,2 bilhões. Vorcaro afirmou que o BRB sabia que as carteiras eram originadas por terceiros. Costa, por sua vez, declarou que, segundo seu entendimento, os créditos haviam sido originados pelo Master e posteriormente negociados.

Ele afirmou ainda que a ligação direta com a empresa Tirreno só foi identificada entre abril e maio do ano passado, após análises técnicas apontarem padrão documental distinto nos contratos. Segundo Costa, a identificação do originador final do crédito não costuma integrar os documentos utilizados nas análises de risco.

Procurada, a Polícia Federal não se manifestou até a publicação da reportagem.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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