CPI marca votação para convocação de Toffoli no caso Banco Master
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, confirmou nesta sexta-feira (13) que a comissão deve votar, no próximo dia 24 de fevereiro, o requerimento que solicita a convocação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
A pauta foi definida pelo presidente do colegiado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), e representa um novo capítulo na relação entre o Legislativo e o Judiciário, em meio às investigações que envolvem o Banco Master.
Investigação envolve empresa ligada ao ministro
A apuração da CPI concentra-se nos negócios da Maridt, empresa familiar de Toffoli, com grupo empresarial vinculado ao Banco Master. De acordo com Alessandro Vieira, a comissão identificou um conjunto de frentes que se interligam no que chamou de estrutura complexa de atuação.
Segundo o relator, os trabalhos da CPI apontam quatro eixos que se retroalimentam: emendas parlamentares, a operação Carbono Oculto (relacionada ao PCC), fraudes no INSS e o caso envolvendo o Banco Master.
Esquema de lavagem e infiltração institucional
Na avaliação do senador, essas frentes convergem para um sistema articulado. Ele descreveu dois pilares centrais do que considera um mecanismo de funcionamento do esquema:
- Lavagem de Dinheiro: Centralizada na atuação de instituições como o Banco Master e a gestora Reag.
- Infiltração Institucional: O uso de influências políticas e judiciais para proteger interesses envolvidos.
Alessandro Vieira também criticou a postura de integrantes do Supremo Tribunal Federal após a divulgação de nota assinada por dez ministros. Para ele, a manifestação foi um “vexame”, ainda que tenha resultado no afastamento de Toffoli da relatoria do Caso Master.
Pressões e cenário político
Em entrevista à GloboNews, o senador afirmou que existem pressões de setores dos Três Poderes para conter o avanço das investigações.
“Os recados que estão sendo enviados para a Polícia Federal são terríveis, são duríssimos”, declarou.
Fabiano Contarato também comentou a complexidade das investigações.
“Quando você olha mais de perto, você percebe que está tudo entrelaçado… na ponta da lavagem de dinheiro e na ponta da infiltração política e judicial do crime organizado”, disse.
A eventual convocação de Toffoli, caso aprovada pela CPI, poderá se tornar um dos momentos mais emblemáticos da comissão, ampliando o debate sobre a atuação de autoridades e a relação entre instituições no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master.
