terça-feira, 6 outubro 2026

Rombo de R$ 266 milhões na Justiça Federal ameaça pagamento de servidores

Tribunais Regionais Federais discutem alternativas para fechar as contas de 2026, mas CJF afirma que folha de pagamento não deve ser afetada.

Justiça Federal enfrenta rombo de R$ 266 milhões

A Justiça Federal enfrenta um déficit de R$ 266 milhões para fechar as contas deste ano.

Para equacionar o problema, tribunais regionais federais passaram a discutir alternativas que incluem cortes de despesas e possíveis ajustes no calendário de pagamentos.

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Entre as possibilidades levantadas estão medidas que poderiam afetar parte da folha de dezembro, o auxílio-alimentação e a segunda parcela do 13º salário dos servidores.

Parecer do TRF-4 aponta tamanho do problema

O tamanho do rombo aparece em um parecer da Diretoria de Orçamento, Finanças e Contabilidade do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), sediado em Porto Alegre.

O documento é do fim de agosto e foi acessado pela reportagem.

No texto, é informado que diretores de orçamento dos seis Tribunais Regionais Federais do país participaram de uma reunião para discutir formas de cobrir o déficit.

Tribunais avaliam cortes em despesas discricionárias

Uma das alternativas discutidas foi o corte de despesas discricionárias.

Esse grupo inclui contratos, obras, tecnologia e outras despesas administrativas que não fazem parte da folha obrigatória.

A medida seria uma tentativa de reduzir o impacto do déficit sem comprometer pagamentos essenciais.

Adiamento de pagamentos chegou a ser cogitado

Os diretores também levantaram a possibilidade de transferir alguns pagamentos para janeiro.

Entre as hipóteses discutidas estavam pagar em janeiro os encargos da folha de dezembro, adiar o auxílio-alimentação para o início de 2027 e transferir para janeiro a segunda parcela do 13º salário.

A proposta, no entanto, ainda depende de definição do Conselho da Justiça Federal (CJF).

CJF afirma que folha deve ser preservada

Em nota, o Conselho da Justiça Federal afirmou que não deverá ocorrer adiamento de pagamentos.

O órgão informou que o presidente do CJF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Luís Felipe Salomão, está em diálogo com os presidentes dos tribunais para buscar uma solução unificada.

“O presidente do CJF e do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro Luís Felipe Salomão, está em diálogo com os presidentes dos tribunais para encontrar uma solução unificada para a questão e, embora cada tribunal seja autônomo, entende que deve ser adotada uma saída que não impacte a folha de pagamento, que em nenhuma hipótese pode deixar de ser honrada, pois representa despesa obrigatória”.

Presidentes dos TRFs devem discutir o tema

Nesta terça-feira (6), o presidente do CJF deve se reunir com os presidentes dos Tribunais Regionais Federais.

O encontro terá como pauta a busca de uma solução para o déficit orçamentário.

A expectativa é que os tribunais discutam alternativas para fechar as contas sem prejudicar a folha de pagamento.

CJF diz que déficit não é inédito

O Conselho da Justiça Federal afirma que déficits orçamentários nos tribunais não são inéditos.

Segundo o órgão, esse tipo de situação costuma ocorrer por fatores externos ou inesperados, que não foram considerados na aprovação da previsão anual.

No caso de 2026, o principal fator apontado foi o adiantamento do pagamento do adicional de qualificação.

Adicional de qualificação representa maior parte do déficit

De acordo com o CJF, o adiantamento em alguns meses do adicional de qualificação representou quase 80% do déficit atual de R$ 266 milhões nos seis Tribunais Regionais Federais.

A lei sobre o adicional foi publicada em dezembro do ano passado.

Os valores variam conforme o tipo de certificação apresentada pelo servidor, como mestrado ou doutorado.

Pagamento começou antes do previsto

Quando o orçamento da Justiça Federal foi elaborado, a expectativa era de que o aumento passasse a ser pago em julho deste ano.

No entanto, o pagamento teve início em janeiro.

Com isso, foram seis meses a mais de despesas em relação ao que havia sido inicialmente previsto no orçamento.

Situação veio à tona após reunião com sindicato

A situação se tornou pública após uma reunião entre a administração do TRF-4 e o Sintrajufe-RS, sindicato dos servidores do Judiciário Federal no Rio Grande do Sul.

O encontro ocorreu em 29 de setembro.

Segundo relato publicado pelo sindicato, o presidente do tribunal, desembargador João Batista Pinto Silveira, confirmou a autenticidade do parecer.

Presidente do TRF-4 teria rejeitado atraso de salários

Ainda conforme o sindicato, o desembargador afirmou não concordar com atraso de salários ou benefícios dos servidores.

Ele também teria dito que o presidente do CJF teria a mesma posição.

Apesar disso, destacou que a decisão final cabe ao Conselho da Justiça Federal.

Pagamentos acima do teto entram no debate

Enquanto os tribunais discutem cortes, pagamentos à magistratura seguem acima do limite constitucional.

Levantamento da Folha, com base em planilhas enviadas pelo TRF-4 ao Painel de Remuneração do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), aponta que juízes e desembargadores da 4ª Região receberam cerca de R$ 178 milhões acima do teto entre janeiro e agosto.

O cálculo considera o limite de R$ 46.366,19 e já desconta o abate-teto.

Maioria dos magistrados recebeu acima do limite

Segundo o levantamento, dos 542 magistrados, aposentados e pensionistas da folha, 523 receberam acima do limite em pelo menos um mês.

A média foi de R$ 340 mil por pessoa no período analisado.

Os números ampliaram a discussão sobre a origem do desequilíbrio orçamentário.

Sindicato critica atribuição do rombo aos servidores

Para o Sintrajufe-RS, atribuir o déficit ao adicional de qualificação seria uma tentativa de transferir a conta aos servidores.

Marcelo Carlini, diretor do sindicato, afirma que o desequilíbrio está relacionado a benefícios criados por via administrativa para a magistratura nos últimos anos.

Entre os exemplos citados está a licença compensatória, que previa um dia de folga, convertível em dinheiro, a cada três dias trabalhados.

Diretor sindical cita gastos sem orçamento

Carlini criticou os pagamentos feitos à magistratura e afirmou que houve impacto nas contas.

“Esse dinheiro foi gasto sem orçamento”, afirma.

Para ele, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que limitou os chamados penduricalhos “não encerrou a sangria, mudou por onde sangrava”: proibiu alguns pagamentos, mas liberou outros, como retroativos de adicional por tempo de serviço.

Sindicato questiona origem dos restos a pagar

O diretor do Sintrajufe-RS também questionou a composição dos restos a pagar dos TRFs.

Segundo ele, esses valores serviram de base para o rateio dos cortes.

“Nós não sabemos qual é a origem dos restos a pagar”, diz.

Fundo Especial não resolveria problema imediato

Carlini também afirmou que o Fundo Especial da Justiça Federal, criado pela Lei 15.498 e sancionado em setembro, não resolve o problema atual.

Isso porque o fundo não pode ser usado para pagamento de salários.

Além disso, a nova estrutura só passa a valer em 2027.

Decisão sobre solução ainda está em discussão

O rombo de R$ 266 milhões segue em análise pelo Conselho da Justiça Federal e pelos Tribunais Regionais Federais.

A principal preocupação é encontrar uma saída que feche as contas sem afetar salários e benefícios dos servidores.

A definição deve ocorrer após as reuniões entre o CJF e os presidentes dos tribunais.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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