Lídice da Mata denuncia empresário por suposto estelionato
A deputada federal Lídice da Mata (PSB) denunciou o empresário e administrador Uryel Victor Lima de Santana à Polícia Civil por um caso relacionado a estelionato.
Segundo informações obtidas pelo Bahia Notícias, na manhã desta sexta-feira (4), junto a interlocutores, Uryel teria tentado vender emendas parlamentares atribuídas à deputada baiana.
Ele também teria pedido dinheiro a amigos da ex-prefeita de Salvador sob o argumento de que estaria tentando “ajudá-la” a conseguir recursos.
De acordo com informações apuradas pelo site, a parlamentar chegou a prestar uma queixa-crime contra Uryel.
Empresário também é acusado de usar suposto documento falso
Uryel Victor Lima de Santana também é acusado de tentar aplicar golpes ao apresentar um suposto documento falso do Governo Federal à Prefeitura de Cipó, no Nordeste da Bahia.
Segundo a denúncia, ele teria solicitado pagamentos para que o município recebesse recursos provenientes da União.
A situação levantou suspeitas entre gestores municipais e passou a ser investigada pela Polícia Civil.
Polícia Civil investiga caso registrado como estelionato
A Polícia Civil informou ao Bahia Notícias que investiga o caso envolvendo o administrador.
A ocorrência foi registrada como estelionato no dia 16 de junho deste ano.
Segundo a corporação, “oitivas e outras diligências investigativas são realizadas para o esclarecimento do caso”.
O Bahia Notícias informou que entrou em contato com Uryel na tarde desta quinta-feira (3), mas não obteve resposta até a publicação da matéria.
Entenda as denúncias contra Uryel
A situação envolvendo Uryel teria ocorrido após ele procurar a gestão municipal de Cipó apresentando um suposto ofício.
O documento informaria a destinação de recursos federais para a realização de obras de pavimentação asfáltica no município.
Durante a negociação, segundo a prefeitura, ele teria solicitado o pagamento antecipado de 20% do valor.
A justificativa apresentada seria de que a quantia serviria para “agilizar” a liberação dos recursos.
Prefeitura de Cipó procurou o Ministério das Cidades
O episódio levantou suspeitas e levou o município de Cipó a procurar diretamente o Ministério das Cidades para verificar a autenticidade da documentação.
Conforme relato do prefeito de Cipó, Marquinhos (PSD), o órgão confirmou que o documento não era verdadeiro.
Segundo o gestor, a suposta destinação de mais de R$ 7 milhões também não existia.
O caso motivou um alerta a prefeitos e gestores públicos de toda a Bahia.
Suspeito teria usado abordagem direta a prefeitos
A suposta atuação de Uryel teria ocorrido por meio de diferentes formas de abordagem.
Ele teria utilizado uma conversa convincente para tentar cooptar prefeitos em municípios visitados presencialmente.
Em uma cidade do interior baiano, ele teria desembarcado inclusive utilizando um avião para entregar em mãos documentos com timbragens que seriam adulteradas do Governo Federal.
Administrador alegava ter trânsito em Brasília
Para dar credibilidade à ação, o administrador alegava ter “conchavos” e trânsito livre nos bastidores de Brasília.
A estratégia, segundo os relatos, seria pressionar gestores municipais a efetuarem pagamentos adiantados antes que a autenticidade dos documentos fosse verificada nos órgãos oficiais.
A ação teria como base criar uma falsa aparência de burocracia já concluída para cobrar valores ou vantagens antecipadas dos municípios.
Estrutura da suposta ação tinha quatro etapas
Segundo as informações reunidas, a estrutura da ação seria realizada a partir de quatro frentes.
A primeira seria o uso de documentação adulterada, com a criação de ofícios falsos atribuídos ao Ministério das Cidades para simular aportes financeiros.
A segunda seria a abordagem direta a prefeitos, presencialmente ou por meio de intermediários, apresentando uma falsa oportunidade de obtenção de verbas.
A terceira seria a alegação de mediação com o ministério, com suposta articulação política interna para dar aparência de legitimidade às negociações.
A quarta seria o objetivo financeiro, com tentativa de obter valores antecipadamente sob o pretexto de “liberação burocrática” dos recursos.
Prefeito de Cipó detalha suposto modus operandi
Ao Bahia Notícias, o prefeito de Cipó confirmou o mecanismo que teria sido utilizado por Uryel e deu detalhes sobre o modus operandi atribuído ao administrador.
Segundo ele, o suspeito utilizava documentos falsos, alegando que seriam do Ministério das Cidades, com a promessa de liberar recursos e verbas federais para os municípios.
O gestor afirmou que Uryel procurava prefeitos por meio de contatos ou intermediários, chamados por ele de “conchavo”.
No entanto, em algumas cidades, como Cipó, ele não teria conseguido liberar os valores.
Órgãos federais teriam confirmado falsificação
De acordo com o administrador municipal, órgãos federais confirmaram que os documentos eram falsificados.
Segundo o prefeito, os papéis teriam sido montados pelo próprio suspeito e não possuíam qualquer registro oficial.
“Ele começou desde o ano passado e ele vem insistindo. Depois que fiz as denúncias, ele não me ligou mais. No entanto, isso está sendo frequente. Ele forjou um documento dizendo que era do Ministério das Cidades disponibilizando recursos. Só que fui a Brasília e verifiquei com a equipe da pasta. Eles disseram que esse documento não tinha nada a ver com o ministério não, que seria dele [Uryel], ele que fez, não tinha nada a ver”, afirmou ao BN.
Caso foi encaminhado à Polícia Civil
O caso foi encaminhado para registro de Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil local.
O prefeito de Cipó afirmou que acionou a autoridade policial para formalizar a situação.
“Eu liguei para o delegado pra registrar o Boletim, mas ainda falta ir na delegacia para preencher lá os dados”, explicou.
Nova Soure também teria sido alvo da abordagem
O mesmo tipo de situação teria ocorrido também na cidade de Nova Soure, no Nordeste baiano.
Ao Bahia Notícias, o prefeito Alan de Cassinho (PSD) afirmou que o contato inicial ocorreu entre três e quatro meses antes.
O gestor reforçou a versão e apontou que o empresário teria oferecido intermediação para obtenção de verbas do Ministério das Cidades.
A promessa envolvia recursos para pavimentação asfáltica e outras demandas municipais em nome da pasta.
Prefeito de Nova Soure diz que não avançou nas negociações
Para viabilizar a suposta liberação dos recursos, o indivíduo teria exigido o adiantamento de valores financeiros.
O suspeito também teria encaminhado um ofício com teor semelhante ao enviado para Cipó para formalizar a proposta.
Uma segunda pessoa, que alegava ser do Ministério das Cidades, também entrou em contato com o prefeito.
No entanto, o gestor desconfiou das propostas e não realizou pagamento nem avançou nas negociações.
Gestor aguardava desfecho do caso de Cipó
Segundo Alan de Cassinho, a decisão de não avançar ocorreu porque ele aguardava o desfecho das tratativas envolvendo o município de Cipó.
“Foi essa mesma pessoa. Ele chegou a enviar um ofício também na mesma situação da cidade de Cipó. Mas eu não avancei porque aguardava ver se a situação lá iria se desenvolver. Mas ele chegou a fazer outras propostas também, não só asfalto, mas outras demandas”, contou.
O prefeito também afirmou ter recebido contato de outra pessoa que dizia atuar junto ao Ministério das Cidades.
“Foi algo para o Ministério das Cidades também. Até uma outra pessoa entrou em contato dizendo ser do Ministério das Cidade. Mas aí eu sou um pouco desconfiado, não avancei não”.
Investigação segue em andamento
As denúncias contra Uryel Victor Lima de Santana seguem sob apuração da Polícia Civil.
O caso envolve suspeitas de estelionato, tentativa de venda de emendas parlamentares, uso de supostos documentos falsos e cobrança de valores antecipados de prefeituras.
As autoridades deverão analisar documentos, ouvir envolvidos e apurar se houve participação de outras pessoas nas abordagens relatadas por gestores municipais.