Casas Bahia pede proteção contra corte de contratos essenciais
O Grupo Casas Bahia pediu à Justiça, na terça-feira (1º), proteção contra a suspensão de novos contratos considerados essenciais para a continuidade de suas operações.
O pedido inclui serviços como energia elétrica e gás, infraestrutura, telecomunicações e assistência de saúde de colaboradores e ex-colaboradores.
A solicitação ocorre poucos dias após a varejista pedir recuperação judicial.
Justiça já havia proibido interrupção de serviços
Após o pedido de recuperação judicial, a Justiça de São Paulo já havia proibido a interrupção de serviços considerados essenciais à operação do grupo.
Entre eles estavam energia elétrica, água, tecnologia, segurança e aluguel de imóveis.
Agora, a empresa busca ampliar a proteção para outros contratos que, segundo a companhia, também são necessários para manter as atividades.
Empresa diz ter recebido ameaças de fornecedores
No novo documento apresentado à Justiça, a Casas Bahia afirma que “passou a receber, nos últimos dias, ameaças de suspensão e interrupção do fornecimento por parte de fornecedores”.
Segundo a varejista, as ameaças partiram de fornecedores que não haviam sido incluídos no primeiro pedido ou que foram citados anteriormente, mas tiveram alguns contratos essenciais deixados de fora da relação inicial.
Contrato envolve 25% do abastecimento energético
Um dos contratos citados no pedido envolve o abastecimento energético de cerca de 25% do parque do Grupo Casas Bahia.
A empresa afirma que a ausência desses contratos na primeira relação ocorreu “por um lapso do Grupo Casas Bahia, diante da urgência na distribuição do pedido e do elevado volume de documentos envolvidos”.
Grupo cita recusa de fornecedores em cumprir decisão
Além dos contratos não incluídos inicialmente, a Casas Bahia também afirma que fornecedores já citados na decisão anterior estariam se recusando a cumprir a ordem determinada pela Justiça.
Segundo a empresa, essas empresas também estariam ameaçando cortar serviços considerados essenciais.
Varejista pede multa contra ameaças e descumprimento
No pedido, a Casas Bahia solicita a aplicação de multa em caso de novas ameaças ou interrupção dos serviços.
A empresa pede multa de R$ 50 mil por nova ameaça de suspensão ou interrupção.
Em caso de efetivo descumprimento da ordem judicial, o grupo pede multa de R$ 100 mil, sem prejuízo de outras medidas cabíveis.
Pedido é tratado como urgente pela empresa
A Casas Bahia afirma que a extensão da proteção aos contratos é “imprescindível e urgente”.
No documento, a companhia diz que não pretende rediscutir a essencialidade dos serviços.
O objetivo, segundo o grupo, é garantir que a proteção já concedida pela Justiça alcance, de forma ampla, todos os contratos celebrados com fornecedores das áreas citadas.
Recuperação judicial envolve dívida de R$ 17,3 bilhões
O Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial no dia 17 de agosto.
Na ação, a empresa declarou dívidas de R$ 17,3 bilhões.
Ao todo, dez empresas da holding fazem parte do processo.
Entre elas estão as marcas Casas Bahia e Ponto Frio, o e-commerce Extra.com, a fabricante de móveis Bartira e subsidiárias das áreas de logística e tecnologia.
Empresa tenta avançar em plano de reestruturação
Desde o pedido de recuperação judicial, a varejista vem tentando avançar em diferentes frentes para se reequilibrar financeiramente.
Nesta semana, o grupo comunicou a investidores que conseguiu suspender, na Justiça, ações judiciais e cobranças de dívidas pelo prazo de 180 dias.
Justiça vê risco em corrida de credores
A juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira reconheceu a tese de que a corrida de credores contra o patrimônio do grupo representa risco ao processo de reestruturação.
A magistrada também apontou que bloqueios judiciais já concedidos poderiam comprometer a reorganização da empresa.
Com isso, justificou a blindagem temporária durante o período inicial da recuperação judicial.
Casas Bahia busca manter operação durante recuperação
Com o novo pedido, o Grupo Casas Bahia tenta evitar a interrupção de serviços que considera essenciais para manter lojas, centros de distribuição, canais digitais e áreas administrativas em funcionamento.
A decisão da Justiça sobre a ampliação da proteção deverá definir o alcance das medidas contra fornecedores durante a recuperação judicial.