Contrato de R$ 7 milhões sem licitação é alvo de nova auditoria na Bahia
O Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia abriu uma auditoria para investigar a legalidade de um contrato firmado pela Prefeitura de Mirangaba sem licitação.
O que está sendo investigado
O contrato, datado de 2017, durante a gestão do ex-prefeito Adilson Almeida do Nascimento, envolveu a contratação do escritório Ramos e Barata Advogados Associados por cerca de R$ 7,1 milhões.
O objetivo era prestar serviços jurídicos especializados para:
- Recuperação de valores do Fundef;
- Revisão de repasses do Fundeb;
- Ações voltadas à recomposição de recursos da educação municipal.
Questionamentos da auditoria
A Corte de Contas levantou dúvidas sobre a contratação por inexigibilidade de licitação, mecanismo permitido apenas em situações específicas.
Entre os pontos analisados estão:
- Existência de “notória especialização” do contratado;
- Comprovação da “singularidade do serviço”;
- Justificativa adequada para dispensar concorrência pública.
Caso esses requisitos não sejam comprovados, o contrato pode ser considerado irregular.
Direito de defesa
O relator do processo determinou a inclusão do escritório como terceiro interessado, garantindo:
- Direito ao contraditório;
- Apresentação de justificativas;
- Participação antes da decisão final.
Possíveis consequências
Se forem confirmadas irregularidades, os responsáveis podem sofrer:
- Multas administrativas;
- Obrigação de ressarcimento aos cofres públicos;
- Outras sanções legais.
Histórico de irregularidades
O caso ocorre em meio a antecedentes envolvendo a mesma gestão.
Em 2024, o TCM-BA já havia considerado irregulares repasses feitos pela prefeitura ao Centro Comunitário Social Alto Paraíso, referentes aos anos de 2010 e 2011.
🔎 Problemas identificados:
- Falta de comprovação de despesas (R$ 1,75 milhão);
- Ausência de transparência nos repasses;
- Falhas na formalização de parcerias.
Punições anteriores
Na decisão anterior, o tribunal determinou:
- Devolução solidária de R$ 1,75 milhão;
- Multa de R$ 20 mil ao ex-prefeito;
Os envolvidos ainda podem recorrer da decisão.
Próximos passos
O processo atual segue em tramitação no TCM-BA e ainda não tem data definida para julgamento.
A análise deve esclarecer se a contratação milionária respeitou os critérios legais ou se houve irregularidade na utilização de recursos públicos.
O caso reforça a atenção dos órgãos de controle sobre contratos sem licitação, especialmente quando envolvem valores elevados e impacto direto em áreas sensíveis como a educação.
