Justiça condena envolvidos no assassinato de Mãe Bernadete
O Tribunal do Júri, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, condenou dois homens pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira.
O crime, ocorrido em agosto de 2023, teve grande repercussão nacional e internacional.
Penas ultrapassam 40 anos de prisão
O executor do crime, Arielson da Conceição Santos, foi condenado a 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão.
Já o mandante, Marílio dos Santos, recebeu pena de 29 anos e 9 meses de prisão.
Crime foi considerado qualificado
Os réus foram condenados por homicídio qualificado, com agravantes como:
- Motivo torpe
- Emprego de meio cruel
- Recurso que impossibilitou a defesa da vítima
- Uso de arma de fogo de uso restrito
Decisão mantém prisão e determina captura
A juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos manteve a prisão preventiva do executor.
No caso do mandante, foi expedido mandado de prisão, que ainda aguarda cumprimento.
Motivação está ligada ao combate ao tráfico
Segundo o Ministério Público, o assassinato teve relação direta com a atuação de Mãe Bernadete contra o tráfico de drogas no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
A acusação foi conduzida pelos promotores Raimundo Moinhos e Felipe Pazzola.
Execução ocorreu dentro da residência
Mãe Bernadete foi morta no dia 17 de agosto de 2023, dentro de sua casa, na sede da associação quilombola.
De acordo com as investigações, ela foi atingida por 25 disparos de arma de fogo, na presença de três netos.
Conflitos com organização criminosa foram determinantes
As investigações apontam que a líder religiosa se posicionava contra a instalação de pontos de venda de drogas e ocupações irregulares na comunidade.
O crime também teria sido motivado pela retirada de uma estrutura ligada ao mandante, usada para atividades ilícitas.
Outros envolvidos ainda serão julgados
Além dos dois condenados, outros três acusados — Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus — ainda aguardam julgamento.
Família destaca sensação de justiça
Para Jurandir Pacífico, o julgamento representa um passo importante.
“Foi doloroso, um crime tão brutal que abalou não só a Bahia, mas o Brasil e o mundo. No final deu tudo certo. Se fez justiça”, afirmou.
Caso teve grande repercussão
O assassinato de Mãe Bernadete gerou comoção e levantou debates sobre violência contra lideranças comunitárias e conflitos em territórios quilombolas.
A condenação marca um avanço no processo de responsabilização dos envolvidos no crime.
