Percepção de piora na economia brasileira sobe para 46%, aponta Datafolha
Pessimismo aumenta em relação à situação econômica
A parcela de brasileiros que acredita que a situação da economia brasileira piorou nos últimos meses subiu para 46%, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta semana. O índice era de 41% no levantamento realizado em dezembro de 2025.
O estudo indica uma reversão parcial do cenário de melhora captado no final do ano passado e mostra aumento do pessimismo em relação ao futuro econômico do país.
Número de pessoas que veem melhora cai
Enquanto cresce a percepção de piora, o percentual de entrevistados que avaliam que a economia melhorou caiu de 29% para 24% entre dezembro de 2025 e março de 2026.
O resultado fica entre os melhores índices registrados no início do atual governo —quando o indicador chegou a 35% em pesquisas de 2023— e o pior momento, em abril de 2025, quando atingiu 55%.
Expectativa de piora econômica aumenta
A pesquisa também aponta que 35% dos entrevistados acreditam que a economia deve piorar nos próximos meses. Em dezembro, esse percentual era de 21%.
Já a expectativa de melhora caiu para 30%. Em dezembro, o índice havia chegado a 46%.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros, entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Percepção negativa varia entre grupos sociais
Os dados indicam diferenças importantes entre os grupos analisados.
A avaliação de piora econômica aparece em:
69% entre pessoas com renda acima de dez salários mínimos
57% entre evangélicos (contra 41% entre católicos)
65% entre empresários
77% entre pessoas que pretendem votar em Flávio Bolsonaro
14% entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Mais brasileiros pessimistas com a própria situação financeira
O estudo também revela crescimento do pessimismo em relação à situação financeira pessoal.
Hoje, 33% dizem que sua condição econômica piorou nos últimos meses. Em dezembro, esse percentual era de 26%.
Já os que afirmam que a situação melhorou caíram de 36% para 30%.
Expectativa de aumento do desemprego cresce
A pesquisa mostra ainda que 48% dos brasileiros acreditam que o desemprego vai aumentar nos próximos meses. No levantamento anterior, realizado em junho do ano passado, eram 42%.
Apesar disso, o mercado de trabalho segue forte. Segundo dados recentes do IBGE, a taxa de desemprego no trimestre encerrado em janeiro de 2026 ficou em 5,4%, um dos níveis mais baixos da série histórica.
Maioria acredita em alta da inflação
Para 61% dos entrevistados, a inflação deve subir nos próximos meses. Esse percentual tem se mantido relativamente estável ao longo do último ano.
Apenas 11% acreditam que os preços devem cair, enquanto 23% avaliam que a inflação permanecerá no mesmo nível.
No mercado financeiro, no entanto, a expectativa é de desaceleração da inflação. A projeção para o final de 2026 indica um índice de aproximadamente 3,91%.
Avaliação do governo permanece estável
Apesar do aumento da percepção negativa sobre a economia, a avaliação do governo federal manteve-se praticamente estável.
Segundo o levantamento, 32% avaliam o governo Lula como positivo, mesmo percentual registrado em dezembro de 2025.
Já a avaliação negativa passou de 37% para 40%, dentro da margem de erro da pesquisa.
