segunda-feira, 23 fevereiro 2026
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TCM investiga Prefeitura de Itapetinga por compras emergenciais de R$ 779 mil

Tribunal aponta possível fracionamento de despesa após cancelamento de contrato de R$ 1,46 milhão.

Prefeitura é investigada por suposta manobra em compras de R$ 800 mil

O Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) notificou o prefeito de Itapetinga, Eduardo Hagge (MDB), para prestar esclarecimentos sobre indícios de irregularidades na contratação de materiais de construção.

O foco da auditoria é o cancelamento de um contrato licitado no valor de R$ 1,46 milhão e sua substituição por três dispensas de licitação que, somadas, atingem R$ 779.412,90.

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Contrato cancelado

O Contrato nº 103/2024 foi firmado em maio de 2024 pela gestão anterior, após processo licitatório vencido pela empresa IDEON Gonçalves de Oliveira – ME. O acordo previa o fornecimento de cimento, areia e tubos.

Ao assumir a administração em 2025, a gestão de Eduardo Hagge interrompeu o fluxo do contrato. Em agosto do mesmo ano, também cancelou o Pregão Eletrônico nº 040/2025, que visava recompor os estoques de materiais.

Dispensas emergenciais

Em dezembro de 2025, após a paralisação dos processos regulares, a prefeitura publicou três avisos de Dispensa de Licitação (nº 045, 046 e 047/2025), fundamentadas no Art. 75, inciso VIII da legislação, que permite compras diretas em casos de emergência ou calamidade pública.

As empresas beneficiadas foram:

• RS Perez & Cardozo – R$ 448.375,30
• Palmas Luz Distribuidora – R$ 238.717,60
• Mineradora Monte Santo – R$ 92.320,00

Suspeita de fracionamento

Especialistas apontam que o caso pode configurar fracionamento de despesa — prática que divide uma contratação maior em parcelas menores para evitar o processo licitatório obrigatório.

Para 2026, o limite legal para dispensa de licitação por órgão é de R$ 65.492,11. Apenas uma das contratações realizadas supera esse teto em quase sete vezes. No acumulado de dezembro, o valor ultrapassa em mais de 1.000% o limite anual permitido.

Questionamentos do TCM

O TCM questiona a caracterização da “emergência”, já que, segundo o órgão, houve tempo suficiente ao longo de 2025 para realização de processos licitatórios regulares.

Caso as justificativas apresentadas não sejam aceitas, o prefeito poderá enfrentar sanções administrativas, incluindo multas, rejeição das contas anuais e eventual obrigação de ressarcimento aos cofres públicos por dano ao erário.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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