O senador Angelo Coronel (PSD) voltou a alimentar especulações sobre um possível reposicionamento político diante da indefinição da chapa majoritária que disputará o Governo da Bahia em 2026.
Em entrevista ao programa Giro Baiana, da rádio Baiana FM 89,3, o parlamentar confirmou que mantém diálogo frequente com o ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, além do atual prefeito da capital, Bruno Reis.
Apesar disso, Coronel fez questão de esclarecer que não houve convite formal para integrar a oposição. Ainda assim, o senador deixou evidente o incômodo com o espaço que vem ocupando — ou deixando de ocupar — dentro do grupo governista.
“Eu fico lisonjeado que o outro lado abre espaço para Coronel e coloca Coronel sempre nas rodas de conversa para discutir assuntos políticos na Bahia, coisa que não acontece do lado de cá. Espero continuar no PSD, quero ser candidato pelo PSD e não quero sair”, afirmou.
Recado direto à base aliada
Na sequência, o senador adotou um tom ainda mais franco ao tratar da possibilidade de permanecer no atual campo político:
“Agora, se não me quiserem, é igual a casamento. Se você está casado e não quer mais, a gente não é obrigado a ficar. Só posso ficar onde me querem e me aceitam. Não posso estar num grupo onde não me querem, podendo chegar num evento e ser hostilizado pelos mais fanáticos.”
A fala foi interpretada como um alerta direto ao núcleo duro do governo, em meio às discussões sobre a formação de uma eventual chapa “puro-sangue” do PT, cenário que pode excluir o PSD da composição majoritária.
Portas abertas, sem ruptura
Coronel também ressaltou que o diálogo com a oposição ocorre de forma respeitosa e transparente, sem movimentos abruptos:
“Sempre me encontro com Neto, não é segredo para a Bahia. Mas Neto diz: ‘vamos conversar política no dia que você sair’. Ele respeita o espaço onde eu estou. Sempre que converso com ele e com Bruno, eles respeitam.”
Segundo o senador, qualquer definição depende exclusivamente do desfecho interno do grupo governista:
“Para quê ficar com futurologia? É aguardar o desfecho cá.”
Bastidores aquecidos
A declaração reforça a leitura de que Angelo Coronel segue no jogo, com trânsito entre campos opostos e capital político próprio. Ao mesmo tempo, escancara o desconforto com a condução das articulações governistas e sinaliza que permanecer na base não é mais uma certeza automática.
