Zelenski confirma reunião inédita entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos
Delegações da Rússia, da Ucrânia e dos Estados Unidos participarão, nesta sexta-feira (23) e no sábado (24), do primeiro encontro conjunto entre os três países desde o início da guerra. A reunião acontecerá nos Emirados Árabes Unidos e tem como objetivo tentar avançar nas negociações para o fim do conflito iniciado pela Rússia contra o território ucraniano.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (22) pelo presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, após uma reunião com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça. Até o momento, apenas encontros bilaterais haviam ocorrido entre os países envolvidos.
Trump muda discurso após reunião com Zelenski
Dias antes, Trump havia atribuído a Zelenski parte da responsabilidade pela demora em um acordo de paz. Após o encontro em Davos, no entanto, o tom do americano mudou, e a pressão passou a ser direcionada ao presidente russo, Vladimir Putin.
“O encontro foi muito bom. A mensagem para Putin é: a guerra tem de acabar”, afirmou Trump brevemente a jornalistas.
Segundo interlocutores, a nova rodada de negociações ganhou fôlego após semanas de impasse.
Enviados americanos seguem para Moscou
Ainda nesta quinta-feira, o enviado especial dos Estados Unidos para o conflito, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, embarcaram para Moscou, onde devem se reunir com Vladimir Putin. Antes disso, ambos participaram de encontros em Davos com uma delegação ucraniana e com o negociador russo Kirill Dmitriev.
Zelenski cobra unidade europeia e questiona Otan
Durante seu discurso em Davos, Zelenski voltou a defender a união da Europa em apoio à Ucrânia. Ele reiterou que, sem uma resposta firme, a guerra pode ultrapassar as fronteiras ucranianas. O presidente também levantou dúvidas sobre o comprometimento dos Estados Unidos com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), citando a atual crise envolvendo as declarações de Trump sobre a Groenlândia.
“Se Putin decidir tomar a Lituânia ou atacar a Polônia, quem irá responder? Hoje, a Otan existe graças à crença de que os EUA vão agir, que não ficarão de lado e irão ajudar. Mas e se não?”, questionou Zelenski.
Guerra completa quatro anos em meio a inverno severo
O conflito mais sangrento da Europa desde a Segunda Guerra Mundial completará quatro anos em pouco mais de um mês. O momento é marcado por intensos ataques russos durante um dos invernos mais rigorosos da história recente, deixando milhares de ucranianos sem aquecimento e energia elétrica.
“Esta é a cara da guerra”, afirmou Zelenski ao comentar os impactos humanitários do conflito.
Impasse sobre territórios e proposta de paz
Nas discussões em Davos, também esteve em pauta o texto-base do acordo de paz proposto por Trump, elaborado a partir de um documento inicial construído por Witkoff e Dmitriev. A proposta incorpora demandas centrais da Rússia, como a anexação de territórios ocupados em 2022 e a neutralidade permanente da Ucrânia, com veto à entrada na Otan.
Com apoio de países europeus, Zelenski apresentou uma contraproposta mais aceitável para Kiev, rejeitada pelo Kremlin. O texto voltou a ser debatido entre ucranianos, americanos e europeus, mas segue travado, principalmente devido à exigência russa de perdas territoriais sem consulta popular na Ucrânia.
Força de paz europeia gera novo conflito diplomático
Outro ponto de atrito é a proposta de criação de uma força de paz europeia, com apoio dos Estados Unidos, para monitorar um eventual cessar-fogo. A Rússia já rejeitou a ideia e afirmou que tropas estrangeiras seriam consideradas alvos legítimos.
No encontro mais recente entre representantes americanos e Putin, realizado em dezembro, o presidente russo manteve uma postura inflexível, respaldado pelo avanço militar das forças russas no terreno.
