quinta-feira, 29 janeiro 2026
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Caso Lucas Terra ganha novo desdobramento com nova ação da família

Família pede reparação histórica e responsabiliza Estado por omissão no caso que completa 24 anos.

O emblemático caso Lucas Terra — que marcou o país no início dos anos 2000 — acaba de ganhar um capítulo decisivo. A família do adolescente de 14 anos, assassinado brutalmente em Salvador em março de 2001, ingressou com uma nova ação judicial responsabilizando o Estado da Bahia por uma série de falhas que, segundo eles, atravessaram mais de duas décadas.

A petição acusa o poder público de “omissão sistemática”, “paralisia processual” e “anomalias jurídicas”, pedindo que o Estado reconheça formalmente sua responsabilidade e faça uma reparação histórica pelo caso.

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O que pede a família de Lucas Terra

A ação — representada por José Carlos Terra Júnior, irmão do adolescente — baseia-se no artigo 37 da Constituição e solicita:

  • Reconhecimento da responsabilidade civil objetiva do Estado da Bahia

  • Indenização por danos morais, materiais, existenciais e por perda de uma chance

  • Pedido de desculpas público

  • Adoção de garantias de não repetição, alinhadas a padrões internacionais de direitos humanos

  • Reconhecimento da violação prolongada do direito à razoável duração do processo

A família afirma que quer “reparação histórica” diante do que classifica como violações múltiplas e contínuas ao longo das investigações e ações judiciais.


Trecho da petição

Segundo o documento, o Estado teria contribuído para o prolongamento da dor da família Terra:

“A omissão judicial prolongada viola o direito à duração razoável do processo e perpetua o sofrimento psíquico, moral, material e existencial suportado pela autora.”

A defesa também cita a morte do pai de Lucas, José Carlos Terra, em 2019, afirmando que ele faleceu sem ver o caso concluído.


Linha do tempo com supostas falhas

A petição apresenta uma cronologia que enumera violações atribuídas ao Estado, como:

2001–2005: inquérito repleto de falhas

  • Falhas graves na identificação do corpo

  • Perda de provas

  • Atrasos injustificados

  • Erros investigativos

  • Falta de diligências essenciais

A família sustenta que houve “ineficiência grave” e que decisões judiciais foram anuladas repetidamente, criando um cenário de instabilidade e desgaste processual.


Relembre o caso: um dos crimes mais chocantes da Bahia

Lucas Terra foi sequestrado, torturado, estuprado, mantido em cárcere privado e morto dentro de um templo da Igreja Universal do Reino de Deus, no Rio Vermelho, em Salvador.
Segundo a acusação, o adolescente teria presenciado dois pastores — Fernando Aparecido da Silva e Joel Miranda — em um ato sexual, o que teria motivado o crime.

Os dois pastores foram condenados, mas seguem em liberdade, já que ainda aguardam o encerramento definitivo dos recursos.


Por que o caso voltou à tona agora?

O novo pedido judicial pode abrir um debate nacional sobre:

  • falhas estruturais no sistema de justiça;

  • responsabilidades do Estado diante de crimes contra adolescentes;

  • e o conceito de reparação histórica em casos que se arrastam por décadas.

O processo agora segue para análise da Justiça, que deve decidir se acolhe ou não as solicitações da família.

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Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo
Gabriel Figueiredo, jornalista baiano, nascido em Feira de Santana, com mais de 15 anos de experiência, é referência em notícias locais e inovação do Minha Bahia.
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