A prefeita de Maiquinique, no centro-sul da Bahia, Valéria Silveira (PV), e o vice Kayke Jardim (PSD), continuam à frente da administração municipal mesmo após terem sido cassados pela Justiça Eleitoral por abuso de poder político e econômico.
Amparada por uma decisão liminar, a gestora mantém a rotina administrativa — incluindo gastos milionários com compras e contratos firmados recentemente.
Contratos milionários
De acordo com publicação no Diário Oficial do Município do último dia 16 de outubro, a Prefeitura de Maiquinique autorizou aquisições que somam mais de R$ 2,7 milhões.
As despesas incluem compra de veículos novos, equipamentos de informática, móveis, eletrodomésticos e instrumentos musicais. O volume de gastos tem gerado críticas na cidade, especialmente diante do impasse jurídico sobre a permanência da prefeita no cargo.





Cassação e inelegibilidade
A cassação da chapa foi determinada em setembro de 2025 pela 91ª Zona Eleitoral de Macarani, sob decisão da juíza Giselle Ribeiro.
A magistrada declarou inelegíveis por oito anos a prefeita Valéria Silveira e o vice Kayke Jardim, além de aplicar multa de R$ 10 mil para cada um.
A decisão foi baseada em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que apontou irregularidades durante o pleito municipal de 2024, caracterizando abuso de poder político e econômico.
Apesar da sentença, ambos permanecem no comando do Executivo devido a uma decisão provisória que suspende os efeitos da cassação até o julgamento em segunda instância.
Suspeitas de superfaturamento
As polêmicas envolvendo a gestão de Valéria Silveira não são recentes. Em julho de 2025, a Justiça de Macarani determinou a suspensão de contratos de locação de veículos e máquinas pesadas, após denúncias de fraude, desvio de recursos públicos e superfaturamento que ultrapassariam R$ 3 milhões.
Um dos casos mais graves envolve a locação de um veículo por R$ 33 mil mensais, além de adulterações em notas fiscais.
Entre as empresas beneficiadas está a GSG Transportes e Serviços de Itambé Ltda, que recebeu mais de R$ 823 mil entre janeiro e junho deste ano, segundo dados oficiais.
Situação política indefinida
Enquanto aguarda o julgamento do recurso, Valéria Silveira segue administrando o município sob forte contestação política e popular.
A expectativa é que o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) julgue o caso ainda no primeiro semestre de 2026, definindo se a prefeita permanecerá no cargo ou se novas eleições serão convocadas em Maiquinique.
