Após encontro na Casa Branca, governo do Brasil vê largada efetiva ao negociar tarifas
O governo brasileiro avalia que a reunião entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, marcou a largada efetiva das negociações comerciais para redução das tarifas e sanções impostas ao Brasil.
O encontro, realizado nesta quinta-feira (16) na Casa Branca, foi visto como um sinal de disposição mútua entre os dois países para chegar a um acordo que destrave o comércio bilateral e melhore o ambiente diplomático.
Conversas positivas e foco comercial
Segundo fontes dos dois governos, o diálogo foi considerado “muito bom” e concentrou-se em assuntos comerciais.
O chanceler Mauro Vieira se reuniu com Rubio por cerca de 15 minutos em uma conversa reservada, seguida de uma reunião ampliada com as equipes de ambos os países.
Do lado americano, participaram o representante comercial Jamieson Greer e integrantes do Departamento de Estado.
Do lado brasileiro, estiveram presentes a embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, e outros diplomatas.
“Embora não haja decisão imediata sobre a redução das sobretaxas, o encontro foi positivo por demonstrar a intenção de ambas as partes em negociar de forma séria”, afirmou um integrante do governo brasileiro.
Brasil busca redução de tarifas e fim de sanções
Durante o encontro, o Brasil defendeu a redução de 50% nas tarifas impostas aos seus produtos e o fim de sanções aplicadas pelos EUA, incluindo suspensão de vistos e restrições financeiras a autoridades brasileiras.
A reunião também tratou de pautas sensíveis ao comércio bilateral, nas quais o governo brasileiro busca oferecer contrapartidas para destravar o diálogo com Washington.
Antes da visita, diplomatas brasileiros já avaliavam que a reunião seria uma “rodada preliminar”, mas com potencial de criar bases sólidas para novos acordos.
Ofertas brasileiras: etanol, minerais críticos e big techs
Para fortalecer a negociação, o governo brasileiro apresentou três frentes de interesse americano:
- Etanol – O Brasil estuda retomar o regime de cotas ou criar mecanismos que incentivem a entrada do etanol americano pelos portos do Sudeste, reduzindo barreiras comerciais.
A medida é politicamente sensível, já que usinas nordestinas temem perder competitividade frente ao etanol de milho dos EUA, mais barato e mecanizado.
- Minerais críticos – Há interesse mútuo em desenvolver uma indústria de exploração mineral no Brasil.
Uma proposta em discussão prevê parcerias de investimento, nas quais os EUA ajudariam a financiar a extração desses minerais em troca de garantias de fornecimento.
- Big techs – O tema é mais complexo, pois envolve discussões no Congresso e no Supremo Tribunal Federal (STF).
O governo brasileiro sugeriu a criação de grupos de trabalho sobre regulação digital e cooperação técnica entre a Anatel e órgãos americanos.
Clima diplomático favorável
A avaliação tanto em Brasília quanto em Washington é que o encontro marcou um novo momento nas relações comerciais entre os dois países.
Segundo interlocutores americanos, o governo de Donald Trump viu o encontro de forma positiva, enxergando “abertura real para diálogo e revisão das tarifas”.
Embora nenhum acordo tenha sido fechado, o clima foi de pragmatismo e disposição política para reaproximar os dois países após anos de divergências comerciais.
“Foi a largada efetiva para uma negociação séria, com ganhos potenciais para ambos os lados”, avaliou uma fonte da diplomacia brasileira.
